GRANDE IRMÃO


Por Tribuna

06/12/2014 às 07h00

A adoção de equipamentos de vigilância eletrônica, hoje comum pelo mundo afora – e não apenas no Ocidente -, venceu uma das principais etapas de discussão: quando ainda se engatinhava nesse debate, colocava-se em questão a privacidade dos cidadãos, pois havia forte significação o sentimento orweliano do Grande Irmão, isto é, um terceiro olhar na rotina individual.

Hoje, em razão da violência urbana, câmeras de vigilância estão incorporadas à paisagem, dando a esse mesmo cidadão a sensação de segurança. Metrópoles como Nova Iorque, Londres e São Paulo estão povoadas por esses equipamentos, embora seja fundamental destacar que não se trata do antídoto para todos os males. Em Juiz de Fora, as câmeras têm sido fator importante na resolução de crimes. Na edição de ontem, a Tribuna destacou o furto de uma motocicleta na Zona Central, cujo autor foi preso por ter sido flagrado pelas lentes.

A implantação dos equipamentos na Zona Sul é um passo adiante, sobretudo por tratar-se de uma região de grandes concentrações, mas outras medidas precisam ser colocadas em prática não apenas pelo viés repressivo mas também de conscientização. Os flanelinhas continuam nas ruas, a despeito de todas as discussões desenvolvidas dentro e fora da instância política, enquanto os abusos no trânsito e o vandalismo nas calçadas são uma constante, sobretudo à noite.

Os recentes fóruns de segurança têm avaliado todas as possibilidades, o que é um dado positivo, pois seus participantes são atores importantes na vida da cidade. Que apresentem, então, novos caminhos para inverter a lógica que hoje deixa o cidadão apartado de direitos básicos, como o de andar sem riscos em determinadas regiões.