JOGO DE PODER
Na última segunda-feira, em Brasília, durante palestra para os prefeitos tucanos eleitos no último pleito municipal, o ex-presidente Fernando Henrique lançou o nome do senador Aécio Neves a candidato à Presidência da República. Além disso, recomendou ao seu partido um discurso mais próximo do povo, capaz de mobilizar a opinião pública, sobretudo num momento em que o país, mal saído do julgamento do mensalão, se defronta com um novo escândalo nas entranhas do poder. Na avaliação do ex-presidente, a oposição não está sabendo tirar proveito da situação.
A expressão pode ter duplo sentido, mas é real. Depois de ter passado oito anos à frente do país, o PSDB descobriu que não sabe ficar do outro lado do balcão. Não só ele mas os demais partidos que se dizem de oposição. Enquanto a maioria segue a rotina de se agarrar ao poder para garantir espaço – o que é perfeitamente democrático -, os opositores falam para dentro do partido, não conseguem cultivar as ruas e ainda carecem de um nome capaz de mobilizá-la. Há tempos, a oposição no país tem sido feita pela imprensa, que, no seu papel de apontar mazelas e opinar, tem pautado os partidos.
O senador Aécio Neves, que poderia ocupar esse papel, em vez de topar o convite, disse que ainda é cedo, sem explicar o motivo, talvez preferindo – como dizem os analistas – evitar um confronto com os tucanos paulistas, a começar pelo governador Geraldo Alckmin, que também achou precipitada a ação de FH. Também pode ter adotado a máxima bem mineira de não ficar muito tempo no sereno. Mas seria essa a tática ideal?
No entendimento dos analistas, porém, o que ficou claro foi um descompasso entre os atores políticos do PSDB, que continuam tateando em suas ações, mesmo diante de um Governo que enfrenta um PIB mínimo e um impasse na ação política ante as novas medidas da Polícia Federal.
É possível dizer que cada qual com cada qual, mas uma oposição consistente ou uma alternativa para ser avaliada faz bem à democracia, pois adverte, sobretudo aos que estão no poder, que não basta tocar o país como se nada estivesse acontecendo. Por enquanto, porém, o Governo, em termos de Congresso, navega em águas tranquilas. Na oposição, o PT foi bem mais competente.










