UM PASSO ADIANTE


Por Tribuna

06/11/2012 às 07h00

O processo político no Brasil, em alguns aspectos, não difere de outros países: uma eleição é sempre escada para a próxima, e os candidatos, quando há o instituto da reeleição, se apresentam para um mandato de oito anos, isto é, já pensando na continuidade no posto. Nos EUA, onde os americanos decidem hoje entre Barack Obama, que quer continuar, e Mitt Romney, que deseja o cargo, o discurso é o mesmo. Uma gestão só não basta. Presidente que perde a reeleição é fadado ao limbo da história, como Bush pai e Jimmy Carter.

Na edição de domingo, a Tribuna mostrou as implicações do pleito de outubro nas eleições de 2014. Os candidatos já estão em campo, em articulações para renovar o mandato ou subir de instância no processo político. Juiz de Fora terá, a partir do próximo ano, três deputados federais: Margarida Salomão, Marcus Pestana e Júlio Delgado, já prevendo que a luta pela reeleição será um marco.

Na disputa estadual, a cadeira do deputado Bruno Siqueira, futuro prefeito, é cobiçada por vários aliados, entre eles alguns vereadores, como Isauro Calais (PMN), e o próprio vice, Sérgio Rodrigues, que se mostrou leve na campanha e, pela facilidade do discurso, personagem que pode galgar horizonte mais ambicioso.

Sempre um passo adiante, os políticos estão em constante movimento, deixando o eleitor em dúvida sobre suas aspirações, já que nunca estão satisfeitos com o status que ostentam. Em São Paulo, por ter deixado um mandato no meio e não ter conseguido se eleger para presidente, o economista José Serra pagou um alto preço. É um cenário de desejo e frustração, que se revela de dois em dois anos, mesmo quando, em vez de protagonistas, encontram-se na condição de cabos eleitorais, como ficou claro no último pleito.