NO BALCÃO


Por Tribuna

06/10/2013 às 07h00

Há lideranças sérias que mudaram de partido por força das circunstâncias internas ou oportunidade de escrever uma nova história em suas ações políticas, mas a corrida aos cartórios para a troca de legendas, cujo prazo terminou ontem, foi a prova material do balcão de negócios em que se transformou a política brasileira. Em nome de acordos de toda sorte – voltados para as eleições do ano que vem -, foi definida uma nova composição tanto no Congresso como nas assembleias e câmaras municipais.

Nesse sobe e desce de cotação, os partidos ficaram à mercê de suas lideranças para articulações voltadas para interesses únicos desses mesmos atores, sem qualquer avaliação programática ou ideológica dos envolvidos nesse mercado. As bases tornaram-se peça de ficção, ficando apenas na arquibancada, assistindo aos acordos firmados especialmente em Brasília e nas capitais estaduais. Além disso, a despeito do veto à Rede, da ex-ministra Marina Silva, o país chegou à marca de 32 partidos.

O que vem pela frente são ações para consolidar as mudanças e estratégias para a campanha eleitoral. Embora oficialmente os nomes estejam apenas nas especulações, os candidatos estão em campo fechando pactos e também negociando com as três dezenas de legendas. Alguns partidos se comprometem com o Governo e com a oposição ao mesmo tempo, à espera da melhor proposta; outros já estão acordados, esperando apenas as compensações, como a cessão de cargos para seus apadrinhados.

O perverso desse enredo é que não há sinais de mudanças, sobretudo por conta de serem os responsáveis pelas necessárias alterações, os principais interessados nessa salada de letras.