AMOR ÀS CIDADES

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Adicionar Tribuna de MinasDiretor de estudos na École des Hautes Études em Sciences Sociales, na França, o medievalista Jacques Le Goff, ao traçar um paralelo entre as cidades da pós-modernidade e as do período medieval – quando a concepção de cidade ganhou corpo -, faz observações que são atuais para os centros de grande e médio porte, como é o caso de Juiz de Fora, nos quais a mobilidade, ao lado de saúde e segurança, tem sido o grande desafio. Citando Baudelaire, ele aponta que a forma de uma cidade muda mais depressa, lamentavelmente, que o coração de um mortal e destaca a questão das cidades policêntricas, isto é, com mais um centro nervoso, a fim de atender às demandas populacionais. O desafio, enfatiza, é ligar os espaços urbanos entre si. É preciso fazer que o metrô e o ônibus saiam da cidade e que essa rede de transporte se entrelace com a rede urbana.
No livro Por amor às cidades, no qual faz tais considerações, o professor aborda questões que as cidades ainda tentam resolver. Na edição de quarta-feira, a Tribuna apontou para a situação dos corredores da Zona Sul, que atingem pico de saturação. Como diz Le Goff, procura-se uma descentralização, mas ela só vai ocorrer com eficiência se também houver uma nova postura da população em relação, sobretudo, ao transporte: o ônibus deveria ser a opção para impedir os engarrafamentos que tendem a aumentar com o considerável número de automóveis nas vias urbanas.
Feito isto, os ônibus devem sair do Centro e se entrelaçar na rede urbana. E aí está o início do problema. Juiz de Fora tem dificuldades em fazer essa conexão. A maioria dos coletivos se dirige ao Centro, mas os bairros não se ligam entre si. Mesmo que se perca o hábito de ir ao Centro, circular pela periferia só se faz com eficiência pelo automóvel. E o sistema viário não acompanha, sequer, a expansão imobiliária destas regiões.
Há cerca de três anos, quando ainda se construía o Shopping Independência e eram executadas as ampliações do Hospital Monte Sinai, além de outros investimentos na Zona Sul, a Tribuna advertiu para o que poderia ocorrer na então Avenida Independência. No entanto, pouco foi feito, o que, agora, dobra o preço a ser pago pela população e pela própria Municipalidade, que tem, necessariamente, que agir.









