PAÍS PLURAL


Por Tribuna

06/08/2013 às 07h00

Na edição de domingo, a Tribuna jogou luzes numa discussão que ganhou ênfase durante as manifestações de junho e também na Jornada Mundial da Juventude. No primeiro caso, jovens que foram às ruas tomaram atitudes que atraíram a atenção, pois defendiam o Estado laico. A face mais visível em Juiz de Fora ocorreu durante a invasão da Câmara, quando um manifestante danificou uma bíblia. Também houve tentativa de retirada de um crucifixo, que fica acima da cadeira da presidência. Os especialistas foram claros em apontar confusões por desconhecimento. O Estado brasileiro é constitucionalmente laico, o que implica não misturar ações administrativas com religião. E só. Laico não quer dizer ateu, o que redunda na importância de se respeitar todas as manifestações, inclusive dos que não creem em nada.

A questão central fica por conta das ações radicais que não produzem um só ponto em torno do necessário diálogo. Quando jovens, como ocorreu na JMJ, no Rio, quebraram imagens, enveredaram-se pelo caminho da intolerância. E este é um problema, pois os que agem dessa forma criam situações inversas, isto é, também dá espaço para intolerância contra eles. Alguns desses manifestantes, dias depois, denunciaram estar sendo ameaçados.

Esse cenário tem várias fontes de alimentação, mas é necessário entender o pluralismo da cultura brasileira, a fim de se dar espaço para os diversos grupos. O Congresso Nacional, por exemplo, é uma estratificação clara da sociedade brasileira, havendo representantes para todos os gostos. Nem sempre há compreensão para esse cenário de tantos interesses, inclusive religiosos. Eles são legítimos, mas nem isso permite que atuem além de limites éticos, quando, sobretudo, adotam a intolerância como bandeira.