FORA DE HORA


Por Tribuna

06/06/2015 às 04h00

Ao acatar o veto do prefeito Bruno Siqueira ao projeto que tratou do reajuste salarial dos vereadores, da ordem de 8,17%, a Câmara deu uma prova material de que errou, pois adotou a medida num momento inoportuno, quando as demais categorias não conseguem índice tão expressivo e comissionados não têm, sequer, um mínimo reajuste. Dito isso, o episódio apontou também para a precária interlocução entre as duas casas. Tivesse havido um diálogo prévio, certamente o tema não teria entrado na pauta do Legislativo, da mesma forma que o veto, do qual os vereadores tomaram conhecimento pela imprensa.

A Constituição é clara ao apontar a independência dos poderes, pois só assim há um equilíbrio nas atribuições, mas também prega que devam ser harmônicos, a fim de obterem um objetivo comum: o bem da comunidade que representam. Quando as duas casas têm agenda própria e pouca interlocução, o impasse vira rotina, e o enfrentamento torna-se o único ponto de contato. O Governo federal, quando em águas claras do período virtuoso da economia, andou à margem do Congresso. Hoje, quando os tempos são outros, fica na sua dependência.

Na instância municipal, o cenário não chega a esse nível, mas fica claro que é preciso haver uma comunicação mais clara, sobretudo pelo fato de o prefeito e o presidente da Câmara, ambos jovens, conhecerem bem os seus pontos comuns. Mesmo sem abrir mão de suas respectivas prerrogativas, todos ganhariam se conversassem mais.