ESPAÇO IDEOLÓGICO


Por Tribuna

06/04/2013 às 07h00

A despeito de a Justiça Eleitoral já ter em seus registros a existência formal de 30 partidos, tramita no TRE, em Belo Horizonte, petição de 18 outras entidades pedindo oficialização. São representações de vários segmentos, como é próprio do jogo ideológico que marca o espaço político. Desta forma, há pedidos para criação dos partidos dos militares, dos estudantes, dos servidores públicos e até a ressurreição da antiga Aliança Renovadora Nacional (Arena), que funcionou durante a ditadura, no período de apenas duas legendas: ela e o MDB. Há uma série de exigências para a consolidação, mas, para ações paroquiais, são poucas, bastando uma pequena lista de adesão, nome dos dirigentes e espaço para o funcionamento.

Até aí, nada de mais, uma vez que o direito de reunião em partidos é cláusula garantida na Constituição Federal. A discussão que ainda não foi feita, mesmo ante uma reforma política em tramitação no Congresso, é a motivação de tais partidos. Pretendem mesmo representar segmentos da sociedade ou serão, como tantos outros, utilizados para as barganhas próprias do período eleitoral? O país é pródigo em legendas sazonais, que só ganham visibilidade na época das eleições. Há casos graves de venda de apoio e de espaço, algo impossível de ser levado a sério, mas comum nos bastidores da política.

As regras que a reforma deveria colocar em pauta – mas fora da agenda atual – deveriam se voltar para o fortalecimento dos partidos, cobrando-lhes posturas ideológicas capazes de representar, de fato, os vários estratos sociais. Nem mesmo os filiados sabem, na maioria das vezes, qual é o programa de seu partido. No Congresso, nas assembleias e nas câmaras municipais a situação é a mesma: boa parte dos eleitos age por conta própria, jogando de acordo com suas conveniências ou de grupos. Esse viés se reforça num quadro de coalizão, no qual os partidos se tornam estratégicos para a governabilidade. E é em nome dela que se fazem concessões importantes, distante das ruas, é fato, mas forjadas no mútuo interesse dos agentes políticos.