MOMENTO HISTÓRICO

Veja mais da Tribuna no Google
Adicione a Tribuna de Minas como fonte preferencial para ver mais do nosso conteúdo na Pesquisa Google.
Adicionar Tribuna de MinasO sistema político brasileiro carece de aperfeiçoamentos, pois ainda aposta num modelo vencido pelo próprio tempo, a começar pela imposição aos candidatos a cargos proporcionais a enfrentarem jornadas desiguais, sobretudo em estados, como Minas Gerais, de grande extensão. Como não há voto distrital, andar pelas muitas Minas é um desafio de alto custo financeiro e físico, já que poucos conseguem se eleger apenas com os votos de seus domicílios eleitorais. A despeito disso, hoje é um momento histórico, pois o povo exerce a prerrogativa de eleger seus representantes pela livre e espontânea vontade. Desde 1989, reconquistou-se o direito de eleger presidente e governadores sem a artificial representação do chamado Colégio Eleitoral, controlado com mão de ferro pelo Regime Militar. O povo era um mero detalhe dentro do jogo de poder que começou a cair, paradoxalmente, pelo mesmo voto indireto, com a vitória de Tancredo Neves, em 1984.
A eleição direta, mesmo com os percalços de custos e cansaço, é a forma mais adequada de o povo manifestar sua opinião. Trata-se de um momento único de um saudável acerto de conta com os políticos, embora o revanchismo não deva ser a motivação. O acerto é pela busca do candidato comprometido com causas democráticas. Durante os últimos dias, os postulantes a um mandato se apresentaram ao eleitor, agora, é a vez de esse dizer se concordou ou não com a apresentação.
A despeito de a disputa para presidente e governador ser a que mais chama a atenção, o eleitor deve qualificar seu voto na escolha dos deputados estaduais e federais, além dos senadores, pois, num quadro de presidencialismo com forte viés parlamentarista, a composição da Câmara e das assembleias é estratégica. Um Executivo refém de interesses menores de parlamentares descomprometidos com as ruas não cumpre o seu papel, da mesma forma que um Legislativo de interesses não ajuda, em nada, no atendimento à causa pública. A escolha, pois, definirá que tipo de relação entre os poderes se deseja.









