CAÇA AOS VOTOS


Por Tribuna

05/10/2011 às 07h00

Os primeiros passos da disputa de 2012 começam a ser definidos nesta sexta-feira, quando termina o prazo de filiações partidárias. Em princípio, trata-se apenas de uma formalidade jurídica, a fim de evitar mudanças de última hora. Quem for disputar tem que estar com sigla definida um ano antes do pleito. O que se extrai dessa movimentação, no entanto, é bem mais do que isso, pois a formação dos quadros é estratégica para as legendas e fonte de especulação sobre seu desempenho nas urnas. Para evitar preferências, que sempre acabam ocorrendo, a maioria dos partidos preferiu estabelecer um teto para os votos de seus representantes, isto é, só aceitará candidatos com uma expectativa de votos em torno de determinado limite. Embora a temporada de caça ao voto ainda não esteja aberta, os partidos, até mesmo por precaução, já começam a elaborar suas listas, numa atitude resultante do pragmatismo eleitoral. O jogo, no entanto, só começará a ser jogado quando os atores do voto majoritário forem definidos, mesmo, no caso de Juiz de Fora, em locais em que já se sabe de cor e salteado o nome de boa parte dos que vão à luta.

Hoje as discussões ficam mais nos bastidores, na frenética busca de controle das legendas. Os políticos procuram ter o maior número de aliados em decisão que tem de ser tomada já na definição dos filiados, pois a eleição municipal se difere totalmente de um pleito nacional. No município, os ânimos se exacerbam e o voto não é tão facilmente cativado, já que as opções são muitas, forjadas desde o viés partidário até a simpatia pessoal.

O único senão desse ciclo de articulações está fora da instância política. A Lei da Ficha Limpa, que deve ser aplicada nas eleições de 2012, ainda é uma incógnita ante a demora do Supremo Tribunal Federal em julgar sua constitucionalidade. A decisão dos ministros terá papel fundamental no pleito, pois irá definir o destino de muitos políticos com ações pendentes nas barras da Justiça. Rejeitá-la seria um contrassenso, mas, em decisões judiciais, não adianta o choro. A atitude a tomar é recorrer. Por enquanto, porém, é esperar.