AÇÃO DE TODOS
De janeiro até o último fim de semana, o número de homicídios e de outros casos violentos ultrapassou as ocorrências de todo o ano passado. Este dado está contido na manchete da Tribuna de ontem, quando se levantou o número de crimes contra a vida, ora em escala ascendente no município, sobretudo com a participação de pessoas da faixa de até 29 anos. Estatisticamente, esse é o segmento mais vulnerável, como apontam dados sobre a criminalidade no Brasil, e não deixa de ser preocupante quando boa parte dessas vítimas sequer chegou aos 20 anos. O envolvimento com gangues tem inserido jovens na violência, como um rito de iniciação, deixando uma geração sob risco intenso, já que os enfrentamentos são cotidianos. Como há uma generalizada falta de sentido, encontram no grupo a falsa proteção, além da sensação clara de pertencimento.
Reverter esse processo é a meta coletiva, já que, dia sim, dia não, o noticiário apresenta confrontos que estão se aguçando. Na última segunda-feira, os adolescentes se enfrentaram no Parque Halfeld e desceram o Calçadão da Rua Halfeld trocando socos, ignorando regras e o meio. Se algum deles estivesse armado, a situação teria sido mais crítica. Há duas semanas, dois jovens na faixa de 22 anos também brigaram na Avenida Getúlio Vargas. Um deles levou 15 facadas.
Apesar de todo esse quadro, não se percebe uma indignação institucionalizada, que leve a população a gritar por um basta. Há, sim, um quadro de perplexidade, no qual todos buscam uma explicação que, por enquanto, fica presa ao campo da especulação, podendo ter mais motivos. Embora esteja em curso uma campanha eleitoral, os discursos não abordaram a questão, que deveria também fazer parte das preocupações dos políticos. Não basta cobrar ações da polícia se há outros componentes, como a elaboração de inquéritos que poderiam culminar em processos consistentes e, posteriormente, em sentenças para tirar os infratores das ruas. Nessa ordem, todos têm responsabilidade.










