Demissões na UFJF comprometem serviços
Os contratos devem definir as responsabilidades das partes para evitar surpresas, como as que ocorreram na UFJF
Contratos, sempre que assinados, têm previsibilidade, isto é, prazo de vigência e possibilidades de renovação, ou não, dependendo do serviço. O que aconteceu na noite da última quarta-feira foi atípico: funcionários terceirizados da Universidade Federal de Juiz de Fora, contratados pela empresa Stark Tecnologia e Facilities Ltda., foram avisados por mensagem, por volta de 18h, que não deveriam comparecer ao trabalho na manhã de quinta-feira. Ao todo, foram 47 desligados.
Chama a atenção não só a forma como a demissão foi feita como a não avaliação das consequências: interrupção imediata das atividades em diversos equipamentos culturais da UFJF, como estúdios e laboratórios utilizados por estudantes do Instituto de Artes e Design (IAD). Também foram afetados o Museu Murilo Mendes, o Cine-Theatro Central, o Forum da Cultura e a Galeria Guaçuí.
A universidade, por ser um organismo federal, se submete às regras do Tribunal de Contas da União, e a renovação de contratos passa por meticulosa e necessária avaliação dos órgãos técnicos. A empresa, de acordo com a UFJF, deveria apresentar uma documentação de regularização junto à Receita Federal para a renovação, o que não teria sido feito no tempo hábil.
A justificativa procede, mas os funcionários, embora terceirizados, deveriam ter sido informados com maior antecedência, assim como os organismos afetados, que não tiveram alternativa a não ser a interrupção dos trabalhos.
A terceirização é uma realidade em todo o país, pois os órgãos públicos, sobretudo prefeituras, governos estaduais e a União, não têm meios de cumprir todas as metas com o seu próprio pessoal. O uso de empresas terceirizadas é uma alternativa viável desde que as contratadas estejam em dia com suas obrigações.
Há cerca de um mês, o Sinteac, sindicato que atende o setor de serviço de asseio, alertou uma contratada pelo não repasse dos pagamentos aos funcionários, embora o Município estivesse em dia com os valores devidos à empresa. Pelo país afora, tais impasses são recorrentes, o que dá margem para discussão sobre a eficácia de serviços que, ao fim e ao cabo, penalizam a população e os próprios contratados.
É preciso encontrar uma saída para o que ocorreu na UFJF não apenas por conta da repercussão nos serviços prestados, mas também para garantir aos funcionários desligados a volta às atividades sem sobressaltos. Em meio ao encerramento do semestre, os danos foram claros, como alertou o Diretório Acadêmico do Instituto de Artes e Design. Outras áreas também ficaram comprometidas.









