JOGO DO MERCADO
Grandes investimentos nem sempre pegam de uma hora para outra, exigindo paciência e articulação. O encerramento dos voos da Azul no Terminal Itamar Franco e sua transferência para o Serrinha não decretam o fim de um sonho, como dizem os mais pessimistas. Adia, sim, uma série de outras medidas que deveriam ser tomadas ao curso de crescimento do projeto, pois, além do aeroporto em si, outros investimentos foram feitos em seu entorno. Pequenos comerciantes fizeram apostas e se veem, de uma hora para outra, sem o consumidor, e o próprio Governo colocou em curso a obra de ligação entre a MG-353 e a BR-040 para encurtar o caminho dos usuários. A questão é até quando essa situação vai perdurar. Há garantias de que muitos contatos estão em curso, sendo o sigilo uma estratégia de negociação.
Uma das alternativas é ampliar o cardápio do aeroporto, como, aliás, tem sido discutido. Em vez de ser apenas comercial, tem todas as chances de ser também um hub para outros centros, como acontece com Viracopos, em Campinas, que se tornou a válvula de escape dos aeroportos de Congonhas e Guarulhos, na Grande São Paulo. A localização de Juiz de Fora é estratégica, e é preciso levar em conta que a lógica aeroviária não é a mesma das estradas. Trata-se de uma questão de tempo, mas é necessário que não haja acomodação ou só lamentos pelo que ocorreu. O aeroporto não atende apenas Juiz de Fora, sendo rota de empresários do polo moveleiro, que atuam ostensivamente em São Paulo e que encontraram nele o caminho mais curto para seus negócios.
Com o crescimento da aviação civil e o interesse do próprio Governo federal em reforçar as empresas aéreas regionais, é possível que a situação se reverta a curto prazo, fato que todos esperam, a fim de dar ênfase a uma das principais âncoras do desenvolvimento da Zona da Mata. A região, que ainda luta para retomar o seu espaço, tem no aeroporto uma referência que deve ser mantida.











