RISCO NO MERCADO
Em 2008, quando o mundo estava afundado numa das maiores crises econômicas dos últimos tempos, o Governo brasileiro recomendou o consumidor a ir às compras, pois o país estava blindado. Deu certo. A crise, como lembrava o então presidente Lula, foi apenas uma marolinha. Os países europeus, principalmente, ainda não saíram do fundo do poço, a começar pela Grécia, que assusta o mercado semanalmente com o dilema entre ceder às pressões dos demais países do continente, tomando duras medidas econômicas, ou ceder às pressões do povo, que está sistematicamente nas ruas questionando o arrocho. Ontem, o rei da Espanha, Juan Carlos, desembarcou em Brasília, encontrou-se com a presidente Dilma Rousseff e não escondeu que veio fazer negócios, buscando investimentos brasileiros em seu país.
Enquanto isso, a despeito de um decepcionante produto interno bruto no último período, a área econômica mantém o discurso de incentivo às compras. A redução da taxa de juros para os mais baixos patamares dos últimos anos foi um indicativo. Se vai dar certo, só o tempo dirá, pois trabalhar com previsões na área econômica não tem sido um exercício simples, bastando ver o furo em diversas delas. O concreto, porém, é o aumento da inadimplência, que deve ser monitorada, não só pelo Governo, mas também pelos organismos que controlam o consumo. O endividamento das famílias brasileiras com o Sistema Financeiro Nacional, de acordo com dados do Banco Central, chegou a quase 43%, apesar do teto aceito pelo mercado de 33%. Ainda segundo o BC, o comprometimento da renda do brasileiro hoje é de 22%.
As linhas de crédito cada vez mais dilatadas são um fator de aquecimento da economia, mas surge, aí, um novo fator: a inflação de demanda. Uma das queixas do setor industrial, principalmente, envolve a falta de políticas de incentivo à infraestrutura. O país precisa crescer, mas, sem esse respaldo, esbarra num obstáculo intransponível. Sem dar conta da produção num cenário de vendas aquecidas, os preços vão para o teto.










