PURA OUSADIA
Em menos de 36 horas, dois supermercados foram assaltados durante o expediente, quando circulavam centenas de pessoas por suas gôndolas. No domingo, também em pleno fluxo de consumidores, uma joalheria foi roubada dentro de um shopping center, a despeito da vigilância e das câmeras que registraram o movimento dos bandidos. Não são casos isolados. O juiz-forano se sente perplexo com a ousadia dos assaltantes que não olham mais o relógio, agindo à luz do dia e durante o movimento.
Diz a lenda urbana que, no caso do shopping, um dos autores teria sido irônico com a atendente ao dizer que você achava que não chegaríamos aqui?. Pode ser fruto da emoção de quem foi vítima, mas não será surpresa se, de fato, tivesse ocorrido esse diálogo. Outras lojas que comercializam joias também foram atacadas na área central de Juiz de Fora.
O que chama a atenção é a possibilidade de identificação dos autores e a sua não prisão até agora. Depois de uma reação conjunta, as polícias Civil e Militar contiveram a rotina de homicídios de Juiz de Fora. Até o fechamento deste editorial, a semana não tinha registrado nenhum caso de crime contra vida consumado, algo inédito no histórico dos últimos seis meses. O que mudou, certamente, deve ter sido a estratégia de combate, com ações conjuntas das forças oficiais e, também, com a colaboração da comunidade, por abandonar a postura passiva do silêncio.
O resultado desse novo cenário, agora envolvendo crimes contra o patrimônio, não se reflete apenas no medo, mas também na indignação de diversos segmentos que se tornaram reféns das próprias circunstâncias. Os empresários do comércio antecipam um protesto, mas já não se calam, e têm a pretensão de ir às ruas clamar pelo direito de trabalhar em segurança.
É tempo de reagir, sob o risco de a situação sair do controle, como já ocorre nas grandes metrópoles, onde o Estado apenas contém o avanço da violência, mas é ciente de que não irá reduzi-la. De porte médio, Juiz de Fora ainda pode virar o jogo, mas todos devem arregaçar as mangas, por não se tratar de uma luta isolada deste ou daquele segmento.











