PERDAS E GANHOS


Por Tribuna

05/02/2012 às 07h00

A proposta de instalação de câmeras em locais de eventos, sugerida pelo vereador Noraldino Júnior, dá margem para uma discussão mais ampla sobre a segurança. Os atos de violência não ocorrem apenas em bailes, mas na rotina da própria cidade. Andar em determinadas ruas é temerário, pois há sempre o risco de algum tipo de ataque. Por isso, mesmo aprovando a proposta, os demais vereadores deveriam retomar a discussão sobre a vigilância eletrônica também nas vias públicas.

A instalação das câmeras é uma questão antiga, esbarrando sempre no viés econômico, mas é necessário levar em conta que se trata de uma boa causa, mesmo sob as críticas por constrangimento que podem perpassar o debate. Câmera significa, para muitos, invasão de privacidade, daí a restrição. No entanto, há sempre perdas e ganhos em demandas coletivas, sendo impossível agradar a todos.

Até mesmo nas metrópoles do chamado Primeiro Mundo, esse impasse foi superado em nome do interesse coletivo. Londres e Nova York fazem parte das cidades mais vigiadas do mundo. Ademais, dados estatísticos indicam que, em regiões sob esse controle, o índice de ocorrências caiu acentuadamente.

O envolvimento da iniciativa privada, à qual caberia a prerrogativa de financiar o projeto, é uma parte da discussão. No entanto, mesmo se o poder privado não capitular ao apelo, o Poder Público deve buscar meios para garantir a instalação e a execução plena do projeto, formando parceria com os órgãos de segurança. Dessa forma, as câmeras não seriam meros objetos de observação, mas também meios de elaboração de provas em eventuais flagrantes.