PERDAS E GANHOS


Por Tribuna

04/07/2012 às 07h00

O aquecimento da economia brasileira, a despeito das crises internacionais, mudou comportamentos e estabeleceu um novo cenário de consumo no país. Com financiamentos cada vez mais longos, o brasileiro teve acesso a bens e serviços antes reservados apenas às classes mais abastadas. Mudou tudo. Os aeroportos são pontos de passagem da classe média, e o número de veículos mais que dobrou nas metrópoles. Juiz de Fora não é exceção.

Entre as perdas e os ganhos, é preciso considerar que há sempre um preço a pagar. Com mais veículos, as cidades passaram a conviver diariamente com retenções e com um elemento, se não novo, pelo menos mais perverso: a poluição. A Tribuna, na edição de ontem, indicou a piora na qualidade do ar da cidade, fruto, principalmente, da emissão de gases pelos quase 200 mil veículos em circulação. E deve piorar, pois as vendas continuam em ascensão.

Para os especialistas, é preciso inibir a cultura do carro. Hoje, usa-se o veículo até para pequenas demandas, que poderiam ser substituídas pelo transporte coletivo. O argumento faz sentido, e outros especialistas também apontam essa saída como solução, mas poucos levam em conta, que para mudar de opção de transporte, o usuário precisa ser seduzido, o que não ocorre num sistema de atraso e de qualidade comprometida. A Municipalidade diz ter projetos, mas estes esbarram no Tribunal de Contas do Estado, que impede uma licitação.

Uma das saídas, pois, depende da instância jurídica, mas é necessário, antes de tudo, estabelecer outras estratégias, como ampliar a fiscalização, fazendo valer o Código Nacional de Trânsito, que prevê penas para veículos poluidores. Outra ação é insistir na retirada dos caminhões da área central – muitos deles, só de passagem -, com a criação de rotas alternativas, mas aí, há outro problema. Estado e União têm que ser parceiros na construção de um anel rodoviário. Certamente, o fluxo na área urbana seria reduzido.