CPI E POLÍTICA
A Comissão Parlamentar de Inquérito do contraventor Carlinhos Cachoeira passa por duas frentes. Uma quer investigação ampla, geral e irrestrita; outra defende situações pontuais, como as relações perigosas do banqueiro dos caça-níqueis, deixando no foco apenas os políticos de Goiás, sua principal área de influência. No entanto, diante dos próprios fatos, não dá para deixar de fora algumas avaliações sobre o poder de influência da construtora Delta, que tem as maiores contas em obras pelo país afora. Por enquanto, apenas um diretor deve ser chamado a depor, assim mesmo por causa de suas relações com Cachoeira.
Mas é preciso, por outro lado, evitar as armadilhas ao misturar investigação com política. O caso mais emblemático é o do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que não esconde sua amizade com o presidente licenciado da empresa, Fernando Cavendish. Exposto na rede mundial pelo seu adversário político, o ex-governador Anthony Garotinho, Cabral é visto em vários vídeos em situações embaraçosas, sobretudo em Paris, ora fazendo dancinhas, ora com o grupo usando guardanapo na cabeça. E é aí que reside a questão: noves fora o lado patético das cenas, não se nota nenhum ilícito. As afirmações do ex-governador não provam nada além de uma amizade, algo de foro íntimo do governador, embora seja o empresário o dono da maior parte das obras no estado.
Como é fundamental ter provas materiais, até que elas se revelem não há relevância jurídica para convocar o governador na CPI do Congresso, bem diferente dos outros dois, Marconi Perillo (PSDB) e Agnelo Queiroz (PT), com aproximações indevidas com um notório autor de ilícitos. Politizar a CPI cria um problema ante a opinião pública, que cobra, sim, investigações sobre o resultado dessas ligações nos cofres públicos. Cabral pode até ser chamado, mas só a partir do instante em que for demonstrado que misturou amizade com negócios, envolvendo dinheiro público. Aí, a conversa é outra.










