BOLA DA VEZ
O apego do ministro Carlos Lupi ao poder pode causar problemas para a própria legenda que preside informalmente. O PDT, se insistir em continuar à frente do Ministério do Trabalho, corre o risco de perder uma pasta identificada com o seu programa quando ocorrer a reforma ministerial, no início do ano que vem. A melhor alternativa seria negociar a saída do ministro, sob a garantia de que vai continuar no posto. Ao bater de frente e deixar a presidente Dilma Rousseff sob constrangimento público, perde pontos.
E é o que está ocorrendo. Depois das recomendações do Conselho de Ética, que entendeu ser a demissão a única saída, o titular do Ministério do Trabalho não teria outro caminho senão voltar para casa. Insistiu em ficar e deve ser demitido, ou neste fim de semana ou nos próximos dias, já que não há clima para sua permanência.
A própria presidente se equivoca em segurar Lupi, esperando a reforma de janeiro, ou temendo, como dizem alguns assessores, ter seu poder esvaziado ao ceder a uma recomendação do Conselho de Ética. Adiar o inevitável é ampliar o desgaste, e não atender a uma orientação de uma instância do próprio Governo é um exagero. O Conselho em momento algum disputa prerrogativas com a chefe do Governo. Cumpre apenas o seu papel como órgão de assessoramento da própria presidente.
A presidente Dilma pode ter razões que o público desconheça, e só assim se justifica a sua demora em demitir Lupi, mas, em não havendo outros motivos, joga contra o seu próprio patrimônio político ao vender a impressão de que não se importa com uma recomendação tão importante, que poderia, mais do que um conselho, ser vista como uma ferramenta para ampliar seu poder de controle sobre as questões éticas da administração.










