FOGO AMIGO


Por Tribuna

03/11/2013 às 07h00

Uma entrevista do ex-ministro Roberto Amaral, uma das principais lideranças do PSB, publicada pela revista Carta Capital, mostra a quantas anda a relação interna das alianças formadas no processo pré-eleitoral. Seu partido juntou-se à Rede Sustentabilidade, da ex-ministra Marina Silva, mas ele não se conforma com o pedágio que está sendo pago. Os principais consultores econômicos dos ambientalistas são professores de renome, mas ligados ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Alguns deles fizeram parte da equipe que criou o Real.

Amaral questiona a presença do campo conservador que trabalha sob o marco da tragédia que foi o governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, no que foi refutado pelos próprios pares, já que entendem a necessidade de acolher o pensamento de vários setores para elaboração de um projeto comum.

Trata-se do chamado fogo amigo, que não se faz presente apenas no PSB. Num cenário de coalizões, é uma constante, provando que o projeto ideológico nem sempre caminha pareado com os interesses estratégicos. Os próprios tucanos – e dentro da própria legenda – vivem o dilema da escolha, uma vez que o senador José Serra insiste em deixar para março a oficialização do candidato à Presidência da República. Aliados do senador Aécio Neves insistem que não dá para esperar, sobretudo por conta das andanças da presidente Dilma Rousseff pelo país afora, mas correligionários do ex-governador paulista vão brigar para adiar a definição.

Aécio, como bom mineiro, não chia na janela, mas deixa os aliados gritarem pelos quatro cantos que os paulistas estão melando o jogo por interesses pessoais. A semana que começa, após pressões dos aecistas, como o senador Cássio Cunha Lima, promete, já que Serra também anda pelo país fazendo discurso de candidato, mesmo sabendo que a maioria prefere o senador mineiro.