VELHA CIRANDA
Comerciantes da região de São Mateus, reunidos na última terça-feira, anunciaram a contratação de segurança privada e instalação de câmeras de vigilância para tentar conter o ciclo de arrombamentos, como a Tribuna mostrou na edição de ontem. Queixaram-se da falta da polícia e lamentaram a ação recorrente dos ladrões, que culmina no comprometimento de seus negócios. No mesmo dia, o prefeito Bruno Siqueira convidou os comandantes da Polícia Militar e da Polícia Civil, além de representantes da Secretaria de Defesa Social, para apresentarem suas preocupações com a segurança em Juiz de Fora. Chamou o secretário Rômulo Ferraz para uma conversa, cuja pauta central seria o aumento do efetivo.
Nesse enredo estão vários fatores. A despeito das investigações e dos mapeamentos, os criminosos continuam em ação, num claro desafio às leis, certos de que não serão pegos ou punidos. Relatos de policiais, tanto civis quanto militares, indicam que não é por falta de prisão que os problemas acontecem. Trata-se de falha do sistema, já que boa parte dos envolvidos é reincidente, com várias passagens pelas prisões, mas por pouco tempo. Quando se trata de menores de 18 anos, a situação se agrava. Há adolescentes com mais de uma apreensão, mas que continuam nas suas ações em conflito com a lei. A gente prende, mas a Justiça solta, dizem os policiais.
Essa questão passa pela legislação, mas também pela falta de programas de ressocialização. O número de locais de acolhimento ainda é precário, e a simples prisão não resolveria o problema. As cadeias públicas – como já lembrava, ainda nos anos 1980, o então juiz Sidney Afonso – são verdadeiras universidades do crime. Sem políticas de ressocialização e mobilização da própria sociedade, a criminalidade vai continuar nas ruas, para a preocupação de toda a sociedade.











