LONGE DOS RISCOS


Por Tribuna

03/08/2012 às 07h00

A privatização da BR-040 – ou seja lá o nome a ser dado, a despeito de ela sair do controle da União – é um passo importante, pois abrirá a possibilidade de novos investimentos e, certamente, daria fim ao flagelo dos usuários, sobretudo no trecho entre as cidades de Conselheiro Lafaiete e Belo Horizonte, no qual é perigosa a convivência com os veículos pesados das mineradoras, que rodam dia e noite comprometendo a malha asfáltica e deixam os motoristas à beira de um ataque de nervos. O futuro concessionário deve exigir que as empresas busquem caminhos alternativos. Elas garantem ter projeto, esbarrando apenas em questões ambientais para levar a ação adiante, até mesmo por uma questão de segurança.

A passagem da rodovia para a iniciativa privada é uma discussão antiga que passou por várias etapas. Ainda no seu mandato, o então governador Aécio Neves chegou a propor ao Ministério dos Transportes o direito de gestão das rodovias, desde que este repassasse recursos da contribuição que gera verbas para a sua manutenção. A proposta não foi adiante. O novo modelo apresentado pela presidente da República é melhor, pois, enquanto na proposta de Aécio o Estado ainda seria o gestor, agora, não. Caberá à iniciativa privada gerenciar o trecho, como já ocorre em vários pontos do país, a começar pela ligação de Juiz de Fora e Rio de Janeiro, que mudou o perfil da rodovia, com pendências, ainda, na duplicação da Serra de Petrópolis.

O grande avanço, porém, está no significado das mudanças para a Zona da Mata. No pacote apresentado pela presidente, também está incluída a duplicação da BR-116, mais conhecida como Rio- -Bahia, criando um grande eixo na região. Trata-se de uma questão estratégica, pois facilitaria o escoamento da produção e encurtaria distâncias. Juiz de Fora, o principal município, ganharia novas opções de transporte, ponto estratégico quando se fala em projetos de desenvolvimento.