REGRAS DO JOGO


Por Tribuna

03/04/2013 às 07h00

A presidente Dilma Rousseff, ao nomear o senador César Borges (PR) para o Ministério dos Transportes, cercou-se de cuidados para evitar a indicação de alguém que lhe causasse problemas. Deu espaço para o partido, mas o ex-governador da Bahia não era, necessariamente, o nome da preferência dos seus pares, e sim da chefe do Governo. Embora precise de mais um aliado, ela já está escolada. O partido é o mesmo que saiu pela porta dos fundos quando fez a faxina ética, na qual caiu o senador Alfredo Nascimento.

A manobra do Planalto faz parte do malabarismo político próprio de um cenário de coalizão. O Executivo precisa de aliados e não tem meios de fazer muitas escolhas. Desta forma, o Partido dos Trabalhadores tem como parceiros o PMDB e outras legendas, como o próprio PR, que já foi PDS e até PFL, isto é, velhos adversários. Mas faz parte do jogo para garantir a governabilidade, como enfatizou a própria presidente.

Essa situação se reproduz nos estados e nos municípios, por conta de uma reforma política que não sai do papel e que permite, hoje, a criação de legendas próprias para negócios, sobretudo no período eleitoral. O viés ideológico saiu de cena há um bom tempo, sendo, paradoxalmente, o PT o último foco de oposição sistemática e pautada em princípios programáticos. Em nome de suas convicções, o partido foi contra o voto em Tancredo Neves no colégio eleitoral e não assinou a Constituição de 1988. Hoje, no poder, tem um novo olhar sobre alianças, fruto da ausência de um novo caminho.

É possível fazer mudanças numa reforma, mas ainda está longe de se chegar ao projeto ideal. O texto em tramitação na Câmara Federal enfrenta o jogo de interesses dos próprios partidos, que olham primeiro para o próprio umbigo.