PÉS NO CHÃO


Por Tribuna

03/01/2012 às 07h00

Lideranças dos principais países europeus, em suas mensagens de fim de ano, admitiram, com uma sinceridade cortante, que 2012, a despeito de todas as expectativas, será pior do que 2011. Certamente, sabem o que estão falando, pois representam países estratégicos, como Alemanha, França e Itália. A crise do euro – moeda que completou dez anos de implantação – ainda não dá possibilidade de luz no fim do túnel, exigindo novos e grandes sacrifícios para o período que começa.

O lado perverso não se restringe ao continente europeu. Em um mundo globalizado, especialmente para os mercados, a crise de lá pode ser a crise de cá, como já anteveem algumas autoridades econômicas. Em razão disso, o Governo deve ter os pés no chão, mesmo sob a tentação de caixa livre em ano eleitoral. Certamente os candidatos vão cobrar benesses do Estado, a fim de garantir visibilidade.

O Brasil se saiu bem no ano passado, e a presidente Dilma, bem mais austera que o antecessor, já avisou que não haverá concessões. Pelo lado do investimento, a notícia não é boa, mas é necessário levar em conta que não dá para fazer milagres quando se trata de números. Foi-se o tempo de camuflagem de dados, com informações infladas pelo jogo político. Sob o olhar do mundo, o país tem que manter o controle de gastos e evitar a tentação das urnas.

É certo que todos perdem quando os investimentos são reduzidos, mas não dá para pensar no curto prazo quando a incerteza se mantém em todas as instâncias econômicas. Em situações como essa, vale, sim, a criatividade dos governantes, que pode fazer a esperada diferença.