COMEMORAR O QUÊ?


Por Tribuna

02/12/2011 às 07h00

No relatório da organização Transparência Internacional, que trata dos níveis de corrupção pelo mundo, o Brasil teve uma ligeira melhora, evoluindo de 3,7 para 3,8, na comparação com o ano passado. Mas, se for levado em consideração que a escala varia de 0 a 10, a nota é baixa. O Chile é o país menos corrupto da América Latina, e a Venezuela é o que recebeu a pior classificação no continente. A pesquisa é realizada com base em dados de treze instituições internacionais, entre elas, o Banco Mundial.

A ascensão do Brasil não é motivo de comemoração, pois o país ainda continua ostentando desagradáveis índices no cenário mundial. Após três anos de ascensão, caiu no ranking da Transparência entre os 183 países pesquisados, aparecendo agora em 73º lugar, sendo que, no ano passado, ocupava a 69ª posição, atrás de Gana, Namíbia, Botsuana e Ruanda.

Não se desconhece o esforço da presidente Dilma Rousseff em mudar essa percepção. A demissão de quatro ministros, com um quinto na guilhotina – Carlos Lupi, do Trabalho – é algo incomum em qualquer país, sendo que três deles deixaram o Governo sob suspeita de corrupção. Mas é necessário considerar que os mecanismos de controle são precários e as punições praticamente inexistentes. A Justiça é lenta, e a falta de pena para eventuais autores amplia a percepção de impunidade.

A tarefa não é simples, mas é necessário ir adiante dando transparência para as denúncias e exigindo dos órgãos de controle melhor participação. Mas, enquanto não houver a devida punição, será em vão demitir ou trocar de cargos na instância pública ou simplesmente processar corruptos da iniciativa privada, pois o que se espera são ações pedagógicas que apontem para a boa conduta como referência no trato do recurso público.