SÓ PODE HAVER UM


Por Tribuna

02/10/2014 às 06h00

A vida, em várias circunstâncias, continua imitando a arte. Na série “Highlander”, os personagens considerados imortais se digladiam entre si, uma vez que só pode haver um. Desta forma, a despeito da identidade comum, vão para o confronto em busca da sobrevivência. Na reta final da eleição, com a candidata Dilma Rousseff garantida no segundo turno – e batalhando para encerrar a eleição já no próximo domingo -, os candidatos Marina Silva e Aécio Neves vão para o embate certos de que somente um irá para a próxima etapa. Como os números de ambos são próximos, a reta final promete emoções. A representante do PSB, ante o processo de desconstrução articulado pelos adversários, especialmente o PT, vem experimentando queda sistemática na preferência do eleitor, enquanto o tucano, depois de um bom tempo estacionado, começou a subir.

O que vai acontecer de hoje até domingo está no campo do imponderável, mas será possível aferir o grau de expectativa de cada um no último debate de campanha, previsto para hoje na TV Globo. Por ser o de maior audiência, costuma provocar tensões entre os atores políticos, sobretudo se houver – e haverá – espaço para o confronto direto. Ainda no início da semana, Dilma e Marina aumentaram a temperatura, quando partiram para o confronto com adjetivos mais duros, como “mentirosa”, ou alegando falta de caráter. Aécio não entrou nessa bola dividida, pois percebeu ser o maior beneficiado com a desconstrução da representante socialista.

A véspera do pleito será marcada por estratégias, mas o que irá valer, agora, é o corpo a corpo dos candidatos no convencimento do eleitor. A crítica pela crítica já cumpriu o seu papel. Agora, é partir para o abraço com ações de rua e de militância ostensiva pelos centros e periferias. É como se já fosse dia de eleição, não havendo mais espaço para o jogo de palavras.