LUTA DE TODOS
Dados apresentados pelo Judiciário em torno dos crimes que vão a julgamento indicam que, em Juiz de Fora, 20% dos atentados contra a vida têm fundo passional; 40% são resultado do tráfico, e os outros 40%, por ação de gangues. Há, pois, cenários distintos para se avaliar a violência na cidade, que, desde ontem, está sendo discutida em matérias especiais pela Tribuna, em parceria com a Rádio Solar AM.
De acordo com as autoridades, os dois principais flagelos dos últimos anos – drogas e gangues – têm peculiaridades próprias em Juiz de Fora, sobretudo este último, responsável por atos violentos com uma justificativa específica: a ocupação de espaço. O pertencimento, sentimento que soa distorcido nessas ações, tem sido causa de medidas contra jovens de outras comunidades, como se a cidade fosse separada por compartimentos estanques.
Quanto ao tráfico, seus resultados envolvem pelo menos 98% dos municípios brasileiros, nos quais o crack, especialmente, tornou-se um flagelo. As vítimas costumam ser jovens utilizados como massa de manobra, que, como soldados, vão para o enfrentamento a fim de garantir a distribuição. Trata-se de uma luta permanente das instâncias de Governo e da própria sociedade.
O que fazer é o principal desafio das autoridades. Em Juiz de Fora está instalado um fórum, envolvendo vários segmentos, para discutir políticas de enfrentamento, não apenas pelo viés repressivo do Estado, mas também no aspecto social, a fim de criar antídotos contra os apelos do tráfico e das drogas. O Governo federal, em momento oportuno, criou o programa Crack, é possível vencer, que estabelece parcerias com estados e municípios. Os jovens precisam de outras opções, sobretudo no lazer e no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, as famílias carecem de amparo, pois a sua desestruturação tem sido a porta de entrada para o mundo do crime.











