NOVO PERFIL
Ante um cenário econômico e político de incertezas, o Poder Legislativo tem se tornado protagonista nas discussões, seja em Brasília, nos estados ou nos municípios. Em Juiz de Fora, nunca se debateram tantos temas em audiências públicas e reuniões ordinárias como agora. Na Capital Federal, ante a fragilidade do Executivo, o Congresso tomou a iniciativa e está com sua pauta em andamento. Reforma política, que pode ser retomada pelo Senado, maioridade penal, que mobilizou o país em todos os seus quadrantes, e comissões de inquérito fazem do Parlamento um pulsar constante.
Mas é preciso avaliar esse frenesi também sob a ótica da preocupação. No caso da Câmara Federal, está claro que o presidente Eduardo Cunha é um homem assertivo e de trabalho intenso, mas em algumas questões tem colocado o carro à frente dos bois apenas para cumprir o que prometeu. A maioridade penal é o caso mais emblemático. Depois de ter sua tese derrotada na madrugada de terça-feira para quarta-feira, ele voltou com a matéria na pauta, embora tenha sido questionado por conta de sua pressa.
É fato que o Congresso nos últimos anos andou a passos de cágado, com gavetas cheias e agenda vazia, fruto da leniência dos próprios membros da Mesa Diretora, mas é fundamental seguir determinados ritos para garantir ampla discussão e, sobretudo, debates intensos de teses conflitantes. Cunha teve o mérito de colocar o tema na ordem do dia, mas não precisava acelerar tanto o passo, sob o risco de ter resultados inesperados na fase de execução. A pressa nunca foi boa companheira, principalmente em temas polêmicos, que não se esgotam em uma ou poucas sessões.











