FALSAS IMPRESSÕES


Por Tribuna

02/04/2013 às 07h00

Os argumentos apresentados na discussão sobre a falta de mão de obra no mercado, sobretudo de restaurantes, são corretos e refletem um novo momento da economia. De fato, a ascensão social mudou a demanda, obrigando o setor a ampliar suas ações e aperfeiçoar o trabalho. O que não se avaliou, porém, é a questão dos salários. Juiz de Fora vive um cenário de pleno emprego, mas o valor agregado dos salários ainda é baixo, o que induz à rotatividade. A geração que ingressa no mercado é movida por números, e, na primeira oportunidade de ascensão, muda sem a velha fidelidade de outros tempos, quando funcionários só saíam do emprego por aposentadoria.

Essa situação, porém, não é exclusiva de bares e restaurantes. Os demais segmentos também convivem com alta rotatividade e qualidade precária dos serviços, uma vez que não há, sequer, tempo para aperfeiçoamento dos profissionais. Os órgãos de defesa do consumidor estão lotados de reclamação sobre o atendimento, como, aliás, a própria Tribuna constatou no depoimento de seus entrevistados. Por falta de mão de obra, profissionais são obrigados a desempenhar diversas funções, comprometendo, pois, o seu próprio serviço.

Do outro lado da moeda, com um mercado aquecido, mas com vendas aquém das expectativas, os empresários vivem o drama da rentabilidade. Às vezes, seus espaços estão com grande movimento, mas o lucro é mínimo, gerando falsas impressões de sucesso. Embora tenha sobrevivido à crise de 2008, o Brasil já não é o mesmo de quatro anos atrás. A inflação dá sinais de vida, e os custos estão subindo diariamente. As próprias desonerações adotadas pelo Governo federal são prova de ações para reaquecer a economia. Por enquanto, só alguns setores estão sendo beneficiados, ficando a maioria do setor produtivo à mercê da própria sorte.