ALÉM DA CONTA


Por Tribuna

01/12/2011 às 07h00

A denúncia feita ontem pela Tribuna apontando que cerca de cem quilos de comida são desperdiçados no Restaurante Universitário do Campus da UFJF, sem levar em conta cenário idêntico nos demais pontos de alimentação da cidade, é algo grave. A leitura do texto poderia ser feita até mesmo a partir da matéria adicional sobre a campanha contra a fome e pela racionalidade. No levantamento feito pelo jornal, fica claro o modo desmesurado como muitas pessoas se comportam, não avaliando a extensão de sua fome e, muito menos, o desperdício que irão causar. Em alguns restaurantes, mesmo que haja uma discussão sobre a legalidade, se paga pela sobra. Pôs no prato, mas não comeu, que se pague por isso, entendem.

Mesmo que se considere que a parte mais educativa do homem é o bolso, é necessário acolher as observações do nutricionista Antônio Augusto Fonseca, coordenador técnico do Conselho Federal de Nutrição. Para ele, a melhor maneira de minimizar esse problema, que não é exclusivo de Juiz de Fora, é promover campanhas educacionais dentro dos estabelecimentos. Ele sugere a confecção de cartazes, mostrando como montar um prato de comida. E diz no texto: O consumidor, quando chega ao restaurante, se depara com a grande variedade de alimentos disponível, vai querer mais um pouco de tudo. É o que o dito popular considera como comer com os olhos ou ter o olho maior que a barriga.

O problema do desperdício não se esgota em si mesmo. Há um lado moral a ser considerado quando milhares de pessoas abaixo da linha de pobreza não têm acesso a um prato de comida regularmente. Os exageros são um contrassenso, que deve ser combatido com esclarecimentos. Como mostra o relato da nutricionista responsável pela Sopa dos Pobres, nos cerca de 500 pratos oferecidos por dia, a quantidade jogada fora é pequena. E há motivo para isso. Quem procura uma entidade assistencial para matar a fome não come com os olhos, e sim, necessariamente, pela extensão da própria fome.