BARRIGA DE ALUGUEL


Por Tribuna

01/11/2012 às 07h00

Os chamados partidos nanicos ganharam poder nas eleições de 2012. Juntos, aumentaram o número de prefeituras de 370 para 516, um crescimento de 40%. Entre as chamadas legendas de maior porte, somente o PSB obteve números mais expressivos, crescendo 42% em relação a 2008. O significado dessa nova geografia política está sendo aferido como uma pulverização dos votos, mas há restrições a esse argumento, porque o crescimento ocorreu em regiões em que eles já estavam concentrados, não havendo um fato novo que pudesse justificar esse cenário atual. Mesmo assim, é possível avaliar o papel de siglas que só ganham visibilidade em períodos eleitorais, muitas vezes por terem sido barriga de aluguel de lideranças políticas que controlam mais de uma legenda. É comum os cardeais políticos definirem, inclusive, os rumos que os filiados devem tomar, indicando as siglas de filiação para distribuição dos votos.

Esse é um dos dados perversos do jogo político, por ser revelador do papel de algumas legendas. Daí, a importância de a reforma política contemplar a discussão sobre esse tipo de partido sazonal, isto é, que só aparece em períodos pré-eleitorais, fazendo parte do balcão que se estabelece para formação de chapas. A reforma, porém, tem problemas em avançar nesse ponto, uma vez que boa parte dos parlamentares que estão na mesa de discussão tem interesse direto nesses acordos, não havendo, assim, disposição para atirarem no próprio pé.

Como ocorreu para a implantação da Lei da Ficha Limpa, a discussão só vai adiante se houver pressão das ruas. Depois de anos de crítica ao perfil dos candidatos, o povo colheu assinaturas e pressionou Câmara e Senado a votarem em uma norma que tirasse de cena os políticos que faziam do mandato um salvo conduto para seus ilícitos. A reforma, pelos impasses que vem enfrentando, vai pelo mesmo caminho, só saindo do papel quando as ruas darem um basta nessa inércia.