CONSELHO DE LULA


Por Tribuna

01/11/2011 às 08h00

No seu aniversário de 66 anos, mesmo dia em que foi aconselhado a fazer exames que culminaram na descoberta de um câncer, o ex-presidente Lula expressou a amigos a preocupação com o desengajamento da juventude, a seu ver, plenamente desencantada com política. Defendeu uma grande campanha de retomada dos jovens, a fim de não só tirá-los da sedução das drogas, mas também para que participem ativamente do processo de mudanças do país.

Tem razão. O noticiário tem sido pródigo em informações sobre o aumento da violência na faixa de 14 a 29 anos, fruto, na maioria das vezes, do uso de entorpecentes ou do tráfico. Além disso, basta acompanhar o tráfego da internet para perceber o que os jovens acham dos políticos de um modo geral, não fazendo distinção entre quem é e quem não é sério, colocando todos no mesmo saco.

Antes, porém, de se discutir os efeitos, é preciso analisar as causas. Não é de hoje que os jovens protestam, pois são eles vítimas das próprias circunstâncias, a começar pelo acesso ao mercado de trabalho. Os políticos, mesmo os que perceberam isso, pouco fazem para dar à sua atividade um tom mais qualificado. Como cobrar dos jovens algum tipo de aproximação se os exemplos são os piores possíveis? O ex-presidente está certo em suas preocupações, mas deve ser o primeiro a cerrar fileiras pela moralização da vida pública, pois a alienação coletiva é fruto desse ciclo de escândalos e impunidade.

A juventude, é fato, deve ser convidada a entrar na luta contra esse cenário de desencantamento, usando as redes sociais e, sobretudo, se manifestando nas urnas contra os maus políticos, mas todos precisam fazer a sua parte. Quando na Presidência, Lula e muitas lideranças fizeram ouvidos de mercador ao receber denúncias, preferindo levar a discussão ao extremo, enquanto sua sucessora, em menos de um ano, já apeou seis ministros.