TEM QUE CEDER
A presidente Dilma, forçada pelo Congresso, abriu a caixa de bondades e deve liberar cerca de R$ 2 bilhões para o pagamento de emendas parlamentares. Desta forma, tenta conter uma iminente crise com os parlamentares, sob ameaça de votação de temas indigestos para o Planalto ou derrubada de vetos interpostos pela presidente. Tanto a liberação quanto as ameaças são parte de um roteiro de longa data, que se aguçou a partir da Constituição de 1988, quando foi estabelecido um presidencialismo com forte conotação parlamentarista. Desta forma, o Governo atua em regime de coalizão, tendo que prestar favores sistemáticos à sua base para manter o apoio.
Mas a crítica não pode ser feita apenas ao sistema de governo, uma vez que tudo depende de articulações e diálogos com os atores políticos. E, nesse aspecto, a presidente Dilma perde de goleada para seu antecessor. O ex-presidente Lula, até mesmo em momentos de contragosto, mantinha os canais abertos com as bancadas aliadas, a fim de garantir seus projetos. Quando resolveu endurecer o jogo, a presidente criou um impasse para a sua própria gestão, que se aguçou quando parou de pagar as emendas democraticamente aprovadas no Congresso. É por meio delas que os políticos justificam boa parte de seus mandatos nos seus redutos eleitorais. Sem esses repasses, perdem apoio, o que fica crítico em anos que antecedem ou que ocorrem eleições.
Com o recuo, o Planalto não cessa a crise, mas estanca uma sangria que ameaçava desidratar os projetos do Governo, ora em tramitação no Legislativo, até que uma nova demanda entre na pauta. Por conta desse processo, os interesses são permanentes, gerando um jogo de toma lá dá cá, que nem sempre atende aos interesses da população.











