O bloqueio da Rodovia Presidente Dutra por caminhoneiros, levando o caos para os demais usuários, apesar da liberação parcial da pista para ônibus e automóveis, mostra um cenário até bem pouco tempo afastado da rotina do brasileiro: o de greves sistemáticas. Também estão de braços cruzados os professores universitários e outros segmentos públicos de menor expressão, mas também importantes na produção de serviços do Governo federal.
Chama a atenção, porém, o modo como Brasília trata o problema. A presidente Dilma endurece as negociações, mas não apresenta interlocutores capazes de abrir a discussão. O jogo duro, aplaudido por alguns segmentos, deixa milhares de estudantes sem aula e outros – com empregos garantidos após a formatura – sem perspectiva do trabalho ante a incerteza da colação de grau.
No caso dos caminhoneiros, há o agravante de perdas imensuráveis, já que nem mesmo veículos com material perecível estão sendo autorizados a se deslocar. Trata-se, a despeito das razões da categoria, de um contrassenso que beira a irresponsabilidade, pois penaliza a sociedade, e não os patrões que lhe recusam os pleitos. Cidades do porte do Rio de Janeiro estão com o abastecimento comprometido, mas, somente ontem, o ministro Paulo Passos foi nomeado para conversar.
A volta das greves, ausentes durante a gestão Lula, é resultado, não só da mudança do presidente, mas, principalmente, do estilo. O primeiro cedia às pressões para não ter problemas; a sucessora já olha o caixa para ver se dá ou não para negociar. Pela lógica, tem razão, mas ignora o viés político, que não pode faltar em tais momentos.










