INVERSÃO DE VALOR


Por Tribuna

01/06/2013 às 07h00

O histórico de agressões praticadas por estudantes contra professores continua sendo uma das agendas mais preocupantes dos segmentos que tratam do assunto, uma vez que, a despeito de campanhas, ainda há evidentes sinais de que a mudança vai levar mais tempo. A ocorrência na Escola Estadual Deputado Olavo Costa, na última terça-feira, é apenas a ponta de uma série de problemas que o estabelecimento vem registrando. Lá mesmo, como relatam os próprios diretores e mestres, um vigia foi agredido física e verbalmente por uma aluna inconformada com a advertência sofrida por estar depredando a escola. A própria Tribuna flagrou estudantes fumando uma substância que passava de mão em mão.

Não é de hoje que o jornal e os próprios professores vêm denunciando casos de agressões nas escolas. Por conta disso, o número de profissionais licenciados continua em curva ascendente, pois não há segurança para a nobre missão de ensinar. Vai longe o tempo em que a figura do mestre era reverenciada por alunos e pais. Hoje muitos desses agressores, em vez da reprimenda familiar por suas atitudes, são acolhidos por pais que vão às escolas tirar satisfação com as vítimas. O que esperar de uma situação como esta?

Nessa inversão de valores, o que não se percebe é que o professor não é a única vítima. Os jovens que ganham a guarida de pais equivocados são matéria pronta para o submundo do crime, que vê neles agentes para suas ações. Por isso, investir na educação deve ser prioridade de governos em todas as suas instâncias, porque só pela formação é possível fugir da armadilha do jogo fácil da sedução do ilícito, que tem artifícios próprios para elaborar seu convencimento. E quando a família, em vez do suporte adequado, também entra nesse processo, a situação torna-se mais grave ainda.