OLHO DO FURACÃO


Por Tribuna

01/05/2015 às 06h00

O Dia Internacional do Trabalho tornou-se mais do que uma data de comemorações para se transformar também em um momento de reflexão. Capital e trabalho vivem um momento importante, pois há um novo cenário de legislações que mexem na relação. O caso mais em conta é a proposta de terceirização, ora em discussão na Câmara dos Deputados. Embora o texto original já tenha passado por mudanças, tirando os órgãos governamentais da jogada, a terceirização da atividade-fim no setor privado ainda carece de melhor avaliação, sobretudo pelos dois lados acharem que estão certos em suas ponderações. Os trabalhadores se veem ameaçados em seus empregos, enquanto o segmento patronal observa que a meta é justamente garantir direitos e aperfeiçoar o que já é uma prática recorrente.

Pelo país afora, também se observa o enfrentamento de professores com as instâncias de poder, por conta de acordos não fechados ou por cláusulas que ainda não foram esclarecidas, além do óbvio salário. No Paraná, a situação fugiu do controle e transformou as ruas de Curitiba num campo de guerra, algo impensável até bem pouco tempo. No estado, os professores avaliam as propostas do Governo, enquanto, em Juiz de Fora, as conversações não avançam, mesmo com propostas dos dois lados, numa prova clara de que faltam intermediários para distensionar as discussões.

Num cenário de incertezas econômicas ou de arrochos, como os prometidos pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para recolocar o país nos trilhos, as discussões tendem a ser tensas, pois os polos se consideram prejudicados pelas ações oficiais, sem data para uma retomada do ciclo de bonança. O Dia do Trabalho, portanto, tem pouco a comemorar e muito a ser pensado.