DISPUTA ETERNA
A definição de culpado nas ocorrências de trânsito tornou-se uma questão recorrente: os acidentes são causados pelos motoristas ou pelos pedestres? Feitas as contas, ela deve ser dividida, pois enquanto os primeiros desrespeitam a sinalização e trafegam acima dos limites de velocidade permitida, quem anda a pé também tem seus pecados. A Tribuna fez uma vigília em áreas consideradas críticas da Avenida Rio Branco e encontrou pedestres correndo pela pista para embarcarem nos ônibus, sem, no entanto, medir os riscos.
Ouvida, a Secretaria de Transportes anunciou a instalação de novos gradis para evitar a ação dos incautos, mas há também o viés educativo, que deve ser reforçado não apenas nas escolas mas também em outros pontos de concentração. Motoristas e pedestres devem ser alertados de que é possível conviver, desde que cada um faça a sua parte.
Com número cada vez maior de veículos trafegando pelas metrópoles, o trânsito tornou-se uma agenda prioritária, bastando avaliar o número de acidentes. No longo prazo – e trata-se também de uma discussão nacional -, é fundamental ampliar ainda mais o incentivo para o uso do transporte coletivo. Cidades com forte preocupação nesse sentido criam, cada vez mais, obstáculos para o automóvel. Para isso, porém, é fundamental fornecer transporte público de qualidade e de bom preço.
É comum ouvir relatos de viajantes sobre suas aventuras no exterior enfatizando, sobretudo, o uso de trens ou de metrôs. Aqui, em vez disso, usam sistematicamente o automóvel. Uma contradição a ser explicada.











