VOLTA POR CIMA
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), a despeito de tudo que tem sido falado a seu respeito nas últimas semanas, deve ser eleito hoje presidente do Senado. Seus adversários não devem dar para o páreo, uma vez que, além de pouca visibilidade, não têm espaço para fazer acordos. Renan, não. Desde a sua renúncia ao mesmo cargo, em 2007, para evitar a cassação do mandato, não pensa em outra coisa a não ser a volta por cima. Deve conseguir, pois, no Congresso, há dois tipos de discurso: um para a arquibancada, que preenche páginas de jornais e ocupa o tempo no rádio e na televisão, e o outro para o público interno, que realmente vale. Nele estão embutidos acordos de toda sorte, que levam os demais parlamentares a definirem suas posições.
O PSDB, que lidera a oposição, é um caso clássico desse jogo. Seu principal líder, o senador mineiro Aécio Neves, disse, no início da semana, que a melhor solução seria Renan desistir da disputa, pois assim o PSDB não teria desgaste e toparia apoiar outro nome do PMDB. Dois dias depois, o líder tucano no Senado, Álvaro Dias, negociou com Renan a ocupação da 1ª Secretaria do Senado, responsável pela gestão da Casa e dona de um invejável orçamento. Se os tucanos romperem o trato, ficam fora da Mesa Diretora. Agora, é conferir, pois outros partidos já estão de olho no posto, prontos para aceitar as condições do senador alagoano.
Para a Câmara Federal, a situação não é diferente. O deputado Henrique Alves (PMDB-RN), que, a exemplo de seu correligionário do Senado, está sob fogo cerrado dos adversários e da imprensa, também deve ser eleito presidente, na próxima segunda-feira. Decano da Casa, onde chegou há 41 anos e cumpre agora seu 11º mandato, o parlamentar é um especialista em bastidores e ainda conta com a simpatia do Planalto.
O que o Congresso não vê, ou finge que não, é o desgaste das duas eleições. Renan Calheiros e Henrique Alves podem até assumir seus postos, mas manterão a crise à porta de seus gabinetes, num ano que antecede o pleito de renovação dos mandatos legislativos. Se, ao olhar das ruas, os políticos estão mal na fita, com os dois líderes, a situação tende a se agravar.











