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O destino do saber em tempos difíceis: conquistar ou consumir?

“O verdadeiro conhecimento continua sendo uma conquista porque transforma aquele que aprende”


Por Tribuna de Minas

30/07/2026 às 08h00

Houve um tempo em que o saber era compreendido como uma conquista. Não porque fosse privilégio de poucos, mas porque exigia de todos um caminho. Aprender significava dedicar tempo, suportar a dúvida, aceitar a lentidão do amadurecimento intelectual e reconhecer que a verdade jamais se entrega a quem busca apenas respostas rápidas. O conhecimento era visto como uma travessia, não como um produto.

Os tempos mudaram. A democratização do acesso à informação representa uma conquista inegável da humanidade. Entretanto, ela trouxe consigo um paradoxo inquietante: nunca tivemos tantas informações disponíveis e, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil distinguir conhecimento de mercadoria. Aquilo que antes era resultado de um percurso formativo passou, em muitos casos, a ser tratado como objeto de consumo.

Essa lógica altera profundamente nossa relação com a educação. Quando o conhecimento passa a obedecer às regras do mercado, seu valor deixa de estar na capacidade de formar pessoas e passa a ser medido por sua rentabilidade, sua visibilidade ou seu potencial de gerar resultados imediatos.

Hoje encontramos uma situação complexa em que reconhecer a importância do saber exige resistir a essa lógica. Significa recordar que a educação não existe para satisfazer a ansiedade da velocidade, mas para desenvolver a capacidade de discernimento. Uma sociedade pode sobreviver com abundância de informações, mas dificilmente permanecerá livre se perder a capacidade de pensar criticamente.

O verdadeiro conhecimento continua sendo uma conquista porque transforma aquele que aprende. Ele amplia horizontes, humaniza relações, desperta responsabilidade e ensina que toda resposta consistente nasce de perguntas bem formuladas. Diferentemente da informação consumida, o saber incorporado modifica a maneira como vemos a nós mesmos, os outros e o mundo.

Talvez o maior desafio do nosso tempo não seja produzir mais conhecimento, mas devolver-lhe sua dignidade. Precisamos recordar às novas gerações que estudar é cultivar a inteligência, fortalecer o caráter e preparar-se para exercer, com liberdade e responsabilidade, a tarefa mais nobre do ser humano: pensar.

*Robson Ribeiro de Oliveira Castro Chaves é professor e mestre em  Teologia

 

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