O Maior Mandamento

“A parábola do Bom Samaritano permanece atual, conclamando-nos a superar preconceitos, egoísmos e indiferenças”


Por Denise Pereira Rebello - Comunidade Espírita "A Casa do Caminho"

06/03/2026 às 08h00

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o maior e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”

Para ilustrar essa verdade sublime, Jesus apresentou a Parábola do Bom Samaritano. Nela, um homem é assaltado e deixado quase morto à beira do caminho. Um sacerdote e um levita passam por ele, mas não prestam socorro. Contudo, um samaritano – considerado herege e desprezado pelos judeus – compadece-se, cuida das feridas da vítima e garante sua recuperação. Ao final, Jesus pergunta: “Qual destes três foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?” A resposta é clara: “O que usou de misericórdia para com ele.”

Essa parábola sintetiza o verdadeiro sentido do maior mandamento: amar não apenas em palavras, mas em atitudes de fraternidade e compaixão. Sob a ótica espírita, a atitude do bom samaritano representa o espírito que já compreende a fraternidade. Ele não pergunta quem é o ferido, qual sua religião ou posição social. Age movido pela empatia e pela solidariedade espontânea. O sacerdote e o levita simbolizam, por outro lado, aqueles que ainda se prendem às convenções externas da religiosidade, esquecendo-se da essência da lei divina.

A parábola do Bom Samaritano permanece atual, conclamando-nos a superar preconceitos, egoísmos e indiferenças. O “próximo” não é apenas aquele que partilha de nossas afinidades, mas quem necessite de auxílio.

Nesse sentido, o Espiritismo destaca que a verdadeira prática religiosa não está nos rituais, mas na transformação moral do indivíduo. Assim, cada encontro com o sofrimento alheio é uma oportunidade de progresso espiritual. Ao auxiliar o próximo, o espírito exercita virtudes que o aproximam da perfeição. A caridade, portanto, não beneficia apenas quem recebe, mas, sobretudo, quem pratica.

Ampliando a compreensão de que todos somos irmãos, a Doutrina Espírita explica que estamos ligados pelos laços da reencarnação e da lei de causa e efeito. Dessa forma, somos companheiros de jornada evolutiva, em provas e lições necessárias ao adiamento moral. E a caridade é a orientação de Jesus; é a senha para Deus; é a âncora de salvação, no cumprimento da Lei de Amor que rege o universo. Nas palavras de Jesus: “Toda vez que fizeste a um desses pequeninos, é a mim que o fizeste”.

 

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