A prática do bem
“O mundo é escola de preparação e de aperfeiçoamento”
Em mensagem psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, o espírito Emmanuel indica o caminho para Deus: diante de qualquer dificuldade ou sofrimento, “a prática do bem é a senda para Deus”. Inspirados por essa orientação, cabe-nos uma importante reflexão: estamos praticando o bem?
Na questão 843 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta: “O homem tem o livre-arbítrio de seus atos?”; a resposta é: “Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina”. A Doutrina Espírita nos esclarece que somos artífices do nosso futuro; o homem tem sempre a liberdade de agir e é responsável por suas próprias escolhas e pelo futuro que edifica. Sendo assim, engrossar as fileiras do bem ou permanecer na retaguarda é opção individual.
Nesse sentido, relembramos Jesus para iluminar nossa compreensão das divinas leis. Na parábola “Os trabalhadores da vinha”, Jesus conta que um proprietário de uma vinha saiu de madrugada a assalariar trabalhadores. Alguns foram chamados nas primeiras horas e outros no decorrer do dia até a undécima hora. Ajustando com os trabalhadores a um denário por dia, mandou-os para a vinha. E, aproximando-se a noite, ao fim do dia de trabalho, pagou o salário combinado a cada um, começando pelos últimos. Mas os trabalhadores das primeiras horas queixaram-se de haver recebido o mesmo salário daqueles da última hora do dia, alegando terem trabalhado mais. Porém o dono da vinha disse que pagou a todos o que fora ajustado: “Meu amigo, não te faço injustiça; não ajustaste tu comigo um denário? Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?”; “Assim os últimos serão primeiros, e os primeiros últimos; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos”.
Como visto, não se faz questão da quantidade do trabalho, mas sim da qualidade, e da permanência do trabalhador até o fim. Tanto os primeiros trabalhadores, quanto da última hora receberam pela qualidade do trabalho desempenhado. Trabalhar com qualidade, com interesse, com boa vontade os fez bons trabalhadores. O trabalhador da última hora teve direito ao salário, mas foi preciso que a sua boa vontade o tivesse conservado à disposição daquele que o empregara e que o seu retardamento não fosse fruto de preguiça ou de má vontade. Os últimos não foram antes trabalhar, porque ninguém os havia assalariado até aquele momento.
Assim também, somos chamados para o trabalho na vinha do Senhor. O mundo é escola de preparação e de aperfeiçoamento. Os escolhidos o serão pela cooperação, pelo aproveitamento e pela boa vontade. Lembremos-nos, ainda, das palavras e dos exemplos de Jesus: “Meu Pai trabalha até agora, e eu também trabalho.”
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