Próximo a Juiz de Fora, BR-267 tem cerca de 20 quilômetros esburacados

Tribuna percorreu trecho entre Maripá e Argirita e ouviu reclamações de usuários


Por Hugo Netto

27/01/2026 às 06h30

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BR-267, município de Argirita (Foto: Felipe Couri)

 

Na última quarta-feira (21), a Tribuna saiu de Juiz de Fora e foi até o trevo de Leopoldina, percorrendo quase 100 quilômetros da BR-267, rodovia que, no outro sentido, vai até a fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai.

Até Maripá de Minas – a 51 quilômetros de Juiz de Fora –, e a partir de Argirita – a 72 quilômetros – a estrada está em boas condições, mesmo que, em muitas partes, à base de remendos que, segundo as pessoas ouvidas pela Tribuna, foram feitos há pouco tempo. Porém, no trecho de cerca de 20 quilômetros entre essas duas cidades, os buracos são muitos, como é possível ver pelas imagens.

Por conta da falta de acostamento, a reportagem só pôde conversar com os consumidores do comércio localizado à beira da estrada. O representante comercial Roberto Miranda, 65 anos, estava em um restaurante no km 23. Ele relatou que passa pela estrada toda semana. “Tem uns trechos bons e tem uns trechos péssimos, com uns buracos extremamente preocupantes. Se a pessoa não conseguir sair deles, causa um acidente muito sério.”

Ele conta que já viu a estrada parada por acidentes diversas vezes, naquele mesmo trecho. “De Juiz de Fora até pouco depois de Bicas, eles deram uma arrumada”, confirma, “mas para cá está bem ruim. Essa estrada, a vida inteira é assim. Eles dão uma arrumadinha, chove, esburaca tudo de novo”. Roberto nunca teve maiores gastos com manutenção, mas já ouviu muitos amigos reclamarem, inclusive de estouro de pneus.

A proprietária do restaurante, Natália Vasconcelos Coelho, 66 anos, atesta: nos 26 anos de negócio, a estrada sempre esteve nessas condições. “Arruma, tapa buraco, a chuva vem e destapa o buraco. Atrapalha muito o movimento, porque as pessoas evitam passar por aqui.” No restaurante não há borracharia, mas, muitas vezes, chegam carros com mais de um pneu furado. “A gente dá as condições das pessoas trocarem, macaco a gente tem, a gente ajuda nessa parte. Tem estepe, quando a gente pode, leva no posto para colar.” 

Logo na entrada principal de Argirita, há um negócio com uma combinação curiosa no letreiro: borracharia e pastelaria. Carlos Francisco Silva, de 49 anos, é o dono há três anos, e diz que há uma procura maior pelos serviços com pneus do que pelos pastéis. Segundo ele, de vez em quando, acontece um acidente por perto.

Em números

Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal de Leopoldina, no ano de 2025, entre o km 15 e o 55 da BR-267, houve 36 acidentes. Desses, 12 foram graves. Duas pessoas morreram e 56 ficaram feridas.

Entre as causas mais frequentes, oito foram por velocidade incompatível, cinco por condutores que dormiram ao volante, quatro por ausência de reação do condutor, três por reação tardia ou ineficiente, três por transitar na contramão e dois por ultrapassagem indevida. A maior parte dos acidentes foram em março e agosto (sete cada), aos sábados (11), e por volta das 14h (quatro).

A Tribuna entrou em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pelo trecho criticado, questionando por que ele não recebeu recapeamento e se há previsão para o serviço. Em nota, o órgão informou que  “por meio do contrato vigente de conservação da BR-267/MG, realiza, de forma contínua, serviços de manutenção e reparos e tapa buracos em todo segmento da rodovia”.

O texto afirma, ainda, que “em função das chuvas intensas na região, parte dos trabalhos precisou ser suspensa temporariamente. Com a melhora das condições climáticas, os serviços serão reforçados e as atividades de recuperação do pavimento serão retomadas”.

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