Estrada de Lima Duarte é desafio para ambulâncias, transportes escolares e produtores rurais
Comunidades do distrito de São Domingos da Bocaina relatam dificuldade de acesso a serviços de saúde e educação
A Associação do Distrito de São Domingos da Bocaina, maior distrito do município de Lima Duarte – a 62 quilômetros de Juiz de Fora – relatou à Tribuna a necessidade de melhorias na estrada conhecida pelo nome do distrito, que liga as comunidades ao asfalto que leva a Lima Duarte. A falta de infraestrutura tem prejudicado o acesso dos moradores a serviços de saúde e educação, aumentando a sensação de insegurança e abandono.
Vídeos enviados à Tribuna mostram um caminhão sem conseguir sair do lugar, um deslizamento de terra em cima da estrada, completamente enlameada em alguns pontos e esburacada em outros, grandes galhos e até mesmo uma árvore inteira caídos ao longo do caminho, obstruindo a passagem. “Até a pé está difícil”, diz uma moradora.
Nesta quinta-feira (12), as vans escolares de algumas comunidades não conseguiram chegar à escola com as crianças. Também nesta quinta, a prima da moradora Simone Cristina de Oliveira não conseguiu ser atendida pelo Samu após cair, bater a cabeça e perder uma grande quantidade de sangue.
“Passamos o maior sufoco, liguei para o Samu, que se prontificou a vir, mas ao mesmo tempo já ficaram sabendo que a rota que teriam que fazer era impossível, porque a estrada está acabada”, conta Simone, acrescentando outra preocupação: “nós, mães, mandamos as crianças para a escola com o coração na mão, porque elas estão correndo risco. (…) O motorista chegou aqui hoje e falou que caiu numa cratera, e a van quase bateu no poste. Alguma coisa tem que ser feita, não estamos pedindo nada além dos nossos direitos.”
O morador Afonso Francisco Silva também enviou um vídeo à Tribuna, mostrando uma ponte em condições extremamente precárias, com buracos e lascas de madeira se soltando. “A Prefeitura já vem prometendo desde antes da eleição”, relata, “vieram aqui, fizeram foto, vídeo, disseram que voltariam em janeiro para nos atender, fazer a ponte, e não voltaram mais.” Ele também reclama de ter que desmarcar consultas pela dificuldade dos transportes de saúde em acessar o local.
“A sensação que fica é de abandono e negligência com a comunidade”, diz a presidente da Associação, Tatiane Paula. “Não se trata apenas de desconforto, mas de segurança pública”, pontua. “Nossas maiores preocupações são as crianças que passam pela estrada para ir para a escola e os idosos que dependem mais de recursos que só encontram na cidade, como médicos especialistas e exames, que estão adiando por não conseguirem ir. Fora o produtor rural, que está tendo bastante prejuízo”, elenca.
“A cada dia que passa, os buracos aumentam, e a população sofre as consequências do descaso do poder público. (…) Veículos estão sendo danificados diariamente, moradores estão acumulando prejuízos com pneus furados, suspensão quebrada e alinhamento comprometido. Além disso, o risco de acidentes é constante, especialmente à noite em dias de chuva, quando os buracos ficam ainda menos visíveis”, prossegue o desabafo. “O mínimo que se espera da administração pública é planejamento, manutenção preventiva e respostas rápidas aos problemas estruturais do município.”
Ela afirma que já protocolaram requerimentos nas secretarias e pediram “inúmeras vezes” ao secretário de obras e à prefeita de Lima Duarte a melhoria da situação, sem retorno algum. A Tribuna entrou em contato com a Prefeitura e questionou se há uma previsão de quando devem ser feitos reparos. Até o momento, não houve retorno. O espaço segue aberto para o posicionamento.
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