Ponte histórica de 20 metros que desapareceu em Prados é encontrada em Lima Duarte
Situação inusitada envolve uma ponte da União que estava localizada em um terreno privado na Zona Rural de Prados
Uma ponte de 20 metros de extensão por 5 metros de largura, que desapareceu no município de Prados – localizado no Campo das Vertentes, a 160 quilômetros de Juiz de Fora -, na localidade rural conhecida como Rota 58, nas proximidades do povoado da Pitangueira, foi encontrada na Vila de Mogol, localizada no município de Lima Duarte, na Zona da Mata.
A ponte teria sido retirada do local na última sexta-feira (5) mas, devido ao feriado prolongado e a Festa do Tropeiro, já tradicional em Prados, os moradores da região notaram a ausência da passagem apenas nesta data (10). De acordo com o chefe de gabinete do prefeito de Prado, Luis Otávio Belo, moradores da região teriam contatado o Secretário de Obras da cidade e informado que a estrutura não estava mais lá.
Após o comunicado, a equipe da Prefeitura, que incluiu fiscais de obras, servidores do meio ambiente e da Defesa Civil, junto à Polícia Militar, se deslocou para o local com o objetivo de compreender a situação. “Realmente a ponte não estava lá, aí eles viram a movimentação de máquinas, as marcas, galhos cortados e isso chamou muita atenção, então fizeram o boletim de ocorrência”, destacou o chefe de gabinete. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que instaurou inquérito policial para apurar o desaparecimento da ponte metálica.
As investigações apontaram que os autores teriam utilizado maquinário e ferramentas apropriadas para o corte da estrutura e veículo de grande porte para o transporte da ponte. Também foi constatada a obstrução da estrada de acesso ao local, circunstância que pode indicar planejamento prévio da ação, segundo a PCMG. De acordo com Luís Otávio, a ponte estaria situada em um imóvel privado, apesar de ser de posse da União. Em seguida, por meio de fotos que circulam nas redes sociais, foi constatado que a ponte teria sido transportada, de caminhão, para Ibitipoca.
A ponte foi adquirida pelo Ibiti Projeto, que, por nota, esclareceu que comprou a estrutura de forma regular com uma comerciante de antiguidades. Ainda segundo o projeto, toda a operação de transporte foi realizada de acordo com as recomendações dos órgãos competentes. O Ibiti Projeto também se colocou a disposição para contribuir com as investigações.
Para os moradores da região, o que está em jogo é mais que um bem material, mas uma memória cultural: “prá nós, aqui, tem um valor muito grande, né? Não só roubou a ponte, roubou a história também”, diz Luiz Otávio. O secretário de Cultura e Turismo da cidade,Thiago Narciso, destaca que a ponte foi instalada no Brasil por volta de 1880 e fazia parte do circuito da Estrada de Ferro Oeste de Minas. Apesar de não estar sendo utilizada mais como uma ponte de trilho ferroviário, o local era frequentado por pedestres, ciclistas, pesquisadores e turistas e compunha o circuito do Ciclismo Oeste de Minas.
O que diz o Ibiti Projeto
Leia abaixo a íntegra da nota do Ibiti Projeto, onde a ponte foi encontrada.
“O Ibiti Projeto esclarece que a ponte metálica recentemente transportada foi adquirida de forma regular junto a comerciante do ramo de antiguidades, mediante emissão de nota fiscal e demais documentos pertinentes.
Toda a operação de transporte ocorreu com as autorizações exigidas pelos órgãos competentes, observadas as exigências legais aplicáveis.
Ao tomar conhecimento dos questionamentos relacionados à origem da estrutura, o Ibiti Projeto foi igualmente surpreendido pelos fatos e imediatamente procurou as autoridades competentes, apresentando toda a documentação disponível, indicando a localização do bem e colaborando integralmente com as apurações.
Reconhecido por seu compromisso com a preservação ambiental, histórica e cultural, o Ibiti Projeto reafirma sua atuação pautada pela boa-fé, transparência e respeito à legalidade, permanecendo à disposição das autoridades para contribuir com o completo esclarecimento dos fatos.”
*Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli


















