Cocaína em carregamento de café: cidade mineira aparece em operação contra tráfico internacional de drogas
Investigação da Polícia Federal aponta que organização criminosa utilizava exportações de café para enviar cocaína à Europa; operação cumpre mandados em quatro estados
Um esquema criminoso que utilizava carregamentos de café para ocultar o envio de cocaína ao exterior é alvo da operação Off-Grade Coffee, da Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (7). A investigação apura a atuação de uma organização ligada ao tráfico internacional de drogas a partir do Porto do Rio de Janeiro, com ramificações em todos os estados do Sudeste.
Em território mineiro, a operação teve como foco Manhuaçu, na Zona da Mata, cidade localizada a cerca de 290 quilômetros de Juiz de Fora. Embora não tenha sido divulgada relação entre as operações, a ação ocorre um dia após a força-tarefa coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Juiz de Fora contra o Comando Vermelho (CV), que mirou lideranças da facção e desarticulou estruturas ligadas ao tráfico de drogas na Zona da Mata e também no Rio de Janeiro.
De acordo com a PF, a operação desta quinta-feira cumpre três mandados de busca e apreensão no estado do Rio de Janeiro – um em Botafogo, na capital fluminense, e dois em Búzios, na Região dos Lagos. As diligências também ocorrem em Guarapari e Vila Velha, no Espírito Santo, além de Santos, no litoral paulista, e Manhuaçu, na Zona da Mata mineira. Já os três mandados de prisão preventiva são executados em Santos, Vila Velha e em Minas Gerais, dentro da ofensiva contra uma organização investigada por tráfico internacional de drogas a partir do Porto do Rio de Janeiro.
Além dos mandados de prisão e busca, outros investigados foram submetidos a medidas cautelares determinadas pela Justiça, como proibição de contato entre os envolvidos, restrição de deslocamento e monitoramento eletrônico. Segundo a PF, os suspeitos poderão responder por crimes como tráfico internacional de drogas, organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, além de outros delitos que ainda possam ser identificados ao longo das investigações.

Dinâmica da organização aponta que cocaína teria como destino o exterior
As investigações tiveram início há cerca de um ano, após a apreensão de aproximadamente 1,2 tonelada de cocaína escondida em um contêiner carregado com sacas de café, em junho de 2025. A droga tinha como destino a Alemanha. A partir da apreensão, a Polícia Federal deu início à operação, considerada um desdobramento da Missão Redentor II, com foco em enfraquecer financeiramente organizações criminosas por meio da interrupção das rotas internacionais do tráfico de drogas.
A organização criminosa, apontada pela PF como especializada no tráfico internacional de drogas a partir do Porto do Rio de Janeiro, utilizaria um esquema sofisticado para viabilizar o envio de cocaína ao exterior. Segundo as investigações, o grupo simulava operações lícitas de exportação de café por meio de empresas de fachada e “laranjas”, além de realizar complexas transações financeiras para ocultar a origem ilícita dos recursos e possibilitar a inserção da droga em cargas destinadas ao mercado internacional. Para colocar o esquema em curso, o grupo dividia tarefas. Enquanto um exercia o papel da liderança – coordenando as negociações, os demais atuavam na intermediação comercial, fornecimento de empresas e no controle do carregamento.
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