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Grupo é denunciado por organização criminosa com base na nova Lei Antifacção em Leopoldina

Investigação busca desarticular organização criminosa interestadual ligada ao Comando Vermelho


Por Fernanda Castilho

02/09/2026 às 18h49

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Foto: MPMG

Nove pessoas foram denunciadas por integrar uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho que atuava em Leopoldina e em municípios da região. A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) nesta quarta-feira (2), com base nas investigações da Operação Quione, deflagrada para desarticular uma organização criminosa interestadual com atuação na Zona da Mata mineira e no estado do Rio de Janeiro.

Deflagrada em julho, a operação já cumpriu 70 mandados judiciais, sendo 27 de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão, nas cidades de Leopoldina, Recreio, Juiz de Fora e no Rio de Janeiro. As investigações já haviam resultado na apreensão de mais de cinco mil porções de drogas, quatro fuzis e diversos carregadores de armas de fogo, além de documentar episódios de violência grave atribuídos à organização criminosa, incluindo torturas, espancamentos, ameaças e ataques contra desafetos.

De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a denúncia é uma das primeiras do país fundamentadas na Lei nº 15.358/2026, conhecida como Lei Antifacção. A legislação instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado e criou tipos penais específicos para o enfrentamento de organizações criminosas que, mediante violência e grave ameaça, exercem domínio territorial e controle social sobre comunidades.

Distribuição de drogas e domínio

Segundo as investigações, o grupo mantinha uma estrutura organizada, com divisão de funções e logística de distribuição de drogas, que se ramificou em em diferentes municípios da Zona da Mata. Além de distribuir os entorpecentes, que vinham do Estado do Rio de Janeiro, o grupo atuava na expansão e manutenção do domínio territorial em bairros de Leopoldina e cidades vizinhas.

Os investigados também são acusados de utilizar violência e intimidação como instrumentos de controle social dos moradores: impunham regras de convivência, promoviam punições, como “disciplinas” e “tribunais do crime”, monitoravam as forças de segurança e utilizavam armamento de uso restrito.

Também foi identificado o recrutamento de adolescentes para atividades criminosas e de ações voltadas à consolidação da influência da facção nas comunidades, como o financiamento de eventos locais e a cobrança de valores para posterior distribuição de benefícios.

A denúncia destaca a padronização logística e comercial dos entorpecentes apreendidos, que tinham embalagens, etiquetas e referências associadas à mesma organização criminosa. Esta identificação indica uma cadeia centralizada de fornecimento e distribuição de drogas entre o Rio de Janeiro, Leopoldina e outras cidades da região.

A denúncia foi encaminhada ao Poder Judiciário, que analisa o recebimento da acusação e o prosseguimento da ação penal. A ação contou com a participação de integrantes do MPMG, policiais militares e apoio do Gaeco e do Centro de Segurança e Inteligência (CSI) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).