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Eleições 2026: Flávio Roscoe diz que, se for eleito, vai instalar 200 mil câmeras em MG

Candidato ao Governo de Minas fala sobre segurança pública, saúde, indústrias e outras propostas


Por Bernardo Marchiori

17/09/2026 às 18h44- Atualizada 17/09/2026 às 18h48

“Com foco na segurança do cidadão, vamos colocar 200 mil câmeras de reconhecimento facial nas ruas de Minas Gerais”, promete Flávio Roscoe, candidato ao governo estadual pelo PL. A entrevista, ocorrida nessa quinta (17), dá continuidade a série de sabatinas que a Rede Tribuna de Comunicação tem feito, a partir da edição 2026 do projeto Voto e Cidadania, com os principais postulantes ao Poder Executivo mineiro. Na perspectiva do político, esse investimento mudaria radicalmente a dinâmica do crime e da segurança pública do estado.

Ainda no tema, comentou sobre o déficit prisional em Minas.

“Hoje, as pessoas estão presas. Quem circula livremente é o bandido, que não fica roubando 24 horas por dia, sete dias por semana: ele vai ao supermercado, vai jogar bola, toma uma com os amigos. Ele tem vida cotidiana e faz isso livremente, porque os nossos policiais militares não têm uma memória fotográfica e sabem quem são os 20 mil foragidos ou condenados que estão circulando em Minas Gerais. Ninguém sabe. Na hora que colocar as câmeras, o bandido vai perder a liberdade de andar pelas ruas do estado”, complementou.

A ideia, nas falas do candidato, é que as câmeras multipliquem a ação policial da Polícia Militar. Além disso, os equipamentos também serviriam para registrar crimes, bem como acompanhar toda a movimentação da situação.

“Elas vão dar uma sensação de segurança e inibir a ação, pelo menos a mais ostensiva dos bandidos. Isso já existe no resto do mundo e reduziu muito a criminalidade, não estou inventando a roda”, ressaltou.

Em relação ao déficit prisional, o Centro de Remanejamento Provisório do Sistema Prisional de Juiz de Fora (Ceresp) segue com superlotação superior a 200%. Roscoe destacou que o problema envolve o estado inteiro, da ordem de 50% das vagas prisionais.

“O Flávio Bolsonaro já assumiu o compromisso comigo de fazer 50 mil novas vagas, ou seja, criar presídios novos com recurso federal para que a gente dobre a capacidade do sistema. Com isso a gente vai resolver o problema”, garantiu.

”Estado, ano que vem, já não paga suas contas”

Com relação aos gargalos do Estado em diversos âmbitos, como na Polícia Civil e com os profissionais da educação, Roscoe demonstrou acreditar que a resolução será feita a partir do impulsionamento da economia por meio do que ele tem chamado de ”destravamento”.

“Vamos fazer com que tenhamos dinheiro para as prioridades – mas eu não vou prometer antes que tenha o dinheiro. O Estado, ano que vem, já não paga as suas contas. O débito em 2027 é de R$ 8 bilhões. E ele não é o Governo federal, que pode emitir dinheiro. Na sua casa, se você está devendo R$ 500, você vai ter que cortar R$ 500 nas suas despesas. O Estado é a mesma coisa. Não tem como assumir novas despesas”, pontuou.

Segundo o candidato, no ano que vem, se nada for feito logo no primeiro mês, não haverá recurso para pagar as contas estaduais.

“Esse ano, o Governo só vai pagar o 13º salário porque vendeu a folha – só que você só vende a folha uma vez a cada cinco anos. Não há folha pra vender, Copasa para privatizar: não tem fonte de receita nova. Se nós não fizermos o destravamento, nós vamos ter um problema sério para pagar as contas. Primeiro, vamos ter que racionar as contas”, afirmou.

A situação fiscal de Minas Gerais traz, hoje, contornos trágicos, conforme sinalizado por Roscoe. A solução para o quadro, na perspectiva dele, é desburocratizar para que a economia volte a fluir.

“Tem R$ 250 bilhões no mínimo represados hoje. Com esse dinheiro entrando na economia, imediatamente, com o ‘revogaço’ que vamos fazer, vai gerar a capacidade para fazermos investimentos”, refletiu.

Mais tecnologia para a saúde

Para a saúde, assim como em todas as áreas do governo, a ideia é agregar a tecnologia.

“Hoje, o nosso governo é muito pouco tecnológico. Com isso, a produtividade é baixa, o que onera o custo governamental. Na saúde, será a mesma coisa”, comentou.

Ele também ressaltou que irá levar para o interior, principalmente para as pequenas e médias cidades que não têm leitos de UTI e CTI (e não fazem cirurgias de alta complexidade).

“Isso faz com que sejam transferidas para os grandes centros, o que só aumenta a fila já enorme”, projetou.

Segundo ele, será necessária a criação de leitos de CTI e UTI nos hospitais filantrópicos ou até mesmo nos particulares.

“De quatro a seis leitos em uma cidade de médio porte, de 50 mil habitantes, já resolve o problema dela. O paciente vai fazer a cirurgia de grande porte lá, em vez de se deslocar, às vezes, 300 quilômetros para fazer um procedimento de alta complexidade. Com isso, ele vai ter também o cuidado da família, que estarão por perto. Esse é o grande gargalo da saúde, a grande queixa da população”, desenhou.

No mesmo tema, ele acrescentou que serão instalados equipamentos de telemedicina, como já é o caso de alguns planos de saúde para atendimentos preliminares para os cidadãos.

“Vamos desenvolver um aplicativo com inteligência artificial. A pessoa irá entrar, descrever os sintomas e o aplicativo vai indicar qual unidade de saúde, na sua possibilidade, está mais indicada para que ela vá e qual profissional deve procurar”, idealizou.

Medidas para a indústria

Além de candidato ao Governo de Minas, Flávio Roscoe é presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e tem atuação no setor têxtil. Em reportagem publicada pra Tribuna de Minas em setembro, empreendedores de Juiz de Fora na área ressaltaram que a tradição industrial da cidade não é o suficiente para o setor. As políticas públicas são necessárias para apoiar a área.

Pelo momento atual, o candidato defendeu que quem segue no setor têxtil “já tem um atestado de gestão extraordinária”.

“É uma pena que o Brasil tenha feito e segue fazendo escolhas equivocadas, relegando setores importantes à destruição quase que completa. Juiz de Fora mesmo perdeu quase que todo seu parque têxtil. Hoje, restam fábricas de meia e confecção, mas indústrias não temos mais, o que é uma pena”, lamentou.

Em relação à solução, sem alteração de legislação – apenas da competência do governador, para não depender de Congresso Nacional ou Assembleia Legislativa -, Roscoe disse que o Estado, “infelizmente, exerce um papel que não é incentivador de quem quer gerar emprego e renda: é um carrasco”.

“Temos que reverter isso para que a prosperidade flua. Serão mais de 200 medidas que, inclusive, vão impulsionar e muito o setor têxtil, bem como todos os setores. Juiz de Fora é uma região que padece de investimentos-âncoras. A gente acha que, com essa desburocratização, vamos conseguir levar grandes empresas para a cidade em um curto espaço de tempo”, finalizou.