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Eleições 2026: Gabriel Azevedo propõe ‘Zona da Mata esponja’ e arranjo regional para enfrentar efeitos das chuvas

Candidato do MDB ao Governo de Minas também defende adensamento de áreas centrais, moradia segura e retomada de ferrovias de passageiros na região


Por Nayara Zanetti

05/09/2026 às 11h38- Atualizada 05/09/2026 às 13h00

TM MARCA VOTO E CIDADANIA 02 172O candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) ao Governo de Minas Gerais, Gabriel Azevedo, defendeu a criação de um planejamento regional para a Zona da Mata e a adoção de medidas de adaptação às mudanças climáticas como algumas das prioridades para a região. Durante entrevista ao projeto Voto e Cidadania, da Rede Tribuna de Comunicação, realizada em Juiz de Fora, na manhã deste sábado (5), ele apresentou a proposta de transformar a Zona da Mata em uma “região esponja”, conceito que, como ele explica, busca adaptar as cidades para conviver melhor com a água e reduzir os impactos de eventos extremos. 

Para o candidato, a atuação do poder público na região não pode se restringir aos períodos de chuva ou aos meses imediatamente posteriores a tragédias. Ele citou os impactos provocados pelas chuvas intensas de fevereiro deste ano e afirmou que a recuperação envolve não apenas obras de infraestrutura, mas também as famílias afetadas e a atividade econômica.

“Os políticos não podem, a cada ano, escolher o tempo de janeiro para vir aqui, fazer uma foto e dizer que cuidam da Zona da Mata. A tragédia não terminou quando parou de chover.  Juiz de Fora, Matias Barbosa, Ubá estão no centro de um processo de recuperação que envolve famílias, infraestrutura, atividade econômica”, afirmou. 

Azevedo disse que o primeiro eixo de atuação seria identificar e acompanhar as famílias afetadas pelas chuvas, facilitando o acesso aos serviços públicos e criando uma rede de acompanhamento. Segundo ele, a intenção é evitar que os mesmos moradores voltem a enfrentar situações de vulnerabilidade em períodos de chuvas intensas. 

O candidato também citou recursos anunciados pelo Governo federal para obras de contenção de encostas, incluindo intervenções previstas para Juiz de Fora, como no Morro do Cristo, e defendeu que o Estado acompanhe a execução das medidas e identifique quais famílias ainda aguardam soluções definitivas. 

Eleições 2026: Gabriel Azevedo propõe ‘Zona da Mata esponja’ e arranjo regional para enfrentar efeitos das chuvas
Candidato ao Governo de Minas pelo MDB, Gabriel Azevedo concedeu entrevista exclusiva à Rede Tribuna de Comunicação na manhã deste sábado (5) (Foto: Felipe Couri)

‘Zona da Mata esponja’

A principal proposta apresentada por Azevedo para a região, porém, foi a adoção do conceito de “cidade esponja” em escala regional. A ideia é que o planejamento urbano considere os caminhos naturais da água e evite intervenções que aumentem a impermeabilização do solo ou ocupem áreas suscetíveis a inundações e deslizamentos. “Eu quero uma Zona da Mata esponja. […] É aquela que não briga com a água, é a que respeita à água”, afirmou. 

Na avaliação do candidato, políticas urbanas precisam rever práticas como a canalização de rios, a impermeabilização excessiva do solo e a ocupação de encostas. Para Azevedo, é necessário garantir espaços para que a água possa circular e ser absorvida pelas cidades. “A água precisa ter um caminho na cidade. Ela não é um problema, ela é uma solução”, declarou.

A proposta está relacionada, ainda segundo o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, a uma mudança na forma de pensar o planejamento urbano. Ele defendeu que o Governo de Minas ofereça apoio técnico a prefeituras e câmaras municipais para a elaboração de planos diretores que considerem os efeitos das mudanças climáticas e a dinâmica das águas. 

Arranjo regional 

Para viabilizar esse planejamento integrado, o candidato propôs a criação de um arranjo regional da Zona da Mata, nos moldes de uma articulação entre municípios, mas sem necessariamente caracterizar uma região metropolitana. Azevedo também propõe um arranjo semelhante para o Triângulo Mineiro, envolvendo Uberlândia, Uberaba e Araguari. 

Segundo ele, a ideia é fazer com que os municípios deixem de planejar o território de maneira isolada, especialmente diante de problemas que ultrapassam os limites administrativos das cidades. “O planejamento urbano tem que ser para além da cidade, só ela sozinha”, afirmou. 

Na Zona da Mata, a proposta envolveria a integração entre prefeituras e câmaras municipais, com suporte técnico do Estado para discutir temas como ocupação do solo, mobilidade, habitação e adaptação às mudanças climáticas. 

Habitação e ocupação de áreas de risco

Doutorando na área de habitação sustentável, Azevedo também criticou o modelo de construção de conjuntos habitacionais afastados das regiões centrais, sem integração com serviços públicos, mobilidade e equipamentos de educação.

Para ele, uma das alternativas é estimular o adensamento das áreas centrais, evitando simultaneamente a ocupação de leitos de rios e de áreas de encosta suscetíveis a desastres. “Você precisa adensar nas áreas centrais”, defendeu. 

O candidato também falou em ampliar políticas de moradia segura e regularização fundiária. Segundo ele, é necessário distinguir áreas que podem receber intervenções para aumentar a segurança daquelas em que a permanência da população representa risco. 

Azevedo afirmou ainda que a ocupação de áreas de risco muitas vezes ocorre diante da ausência de fiscalização e de políticas públicas adequadas. “Por muito tempo sustentou-se aquela cultura de políticos incentivarem a ocupação. ‘Não, pode ficar lá’. Só que isso é uma tragédia”, disse. 

Ferrovias como estratégia de desenvolvimento

Outra proposta apresentada pelo candidato para a Zona da Mata envolve a retomada do transporte ferroviário. Azevedo afirmou que pretende construir uma agenda estadual para implantação de 15 ferrovias estratégicas e classificou-se como um candidato que pretende ser “o governador das ferrovias”. 

Na região, ele citou um corredor envolvendo Juiz de Fora, Matias Barbosa, Três Rios e Rio de Janeiro, além de conexões com municípios como Cataguases e Além Paraíba. A proposta, segundo ele, contempla estudos para serviços de passageiros e turismo, além da operação das linhas. 

“É caro, mas caro é não fazer, porque as vidas que a gente perde nas estradas, a comida cara que chega na mesa de todo mundo é porque o Estado, que tem a dimensão enorme que Minas Gerais tem, já teve mais de 20 linhas de passageiros, virou lembrança, passado, e na verdade é futuro. Há R$ 20 bilhões em Brasília esperando para fazermos ferrovia”, afirmou. 

Desenvolvimento regional

Ao falar sobre a economia de Juiz de Fora e da Zona da Mata, o candidato destacou a importância histórica da cidade como polo industrial, comercial e ferroviário de Minas Gerais. Azevedo afirmou que a região ainda possui potencial econômico e citou o comércio e o setor de tecnologia como atividades relevantes no município.

Na avaliação dele, a recuperação econômica da Zona da Mata deve estar associada a investimentos em infraestrutura e integração regional. Nesse sentido, as propostas de planejamento urbano, adaptação climática e retomada ferroviária fazem parte, segundo o candidato, de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento.

Ao final da entrevista, Azevedo afirmou que pretende manter diálogo com municípios independentemente da posição política dos prefeitos e também com o Governo Federal, independentemente do partido que esteja no comando do país. “Não tem cena comigo, tem respeito a quem está sofrendo e cuidado com todo mineiro”, afirmou.

Candidato afirma ser contra privatização da Cemig 

Sobre a privatização das estatais mineiras, Gabriel Azevedo afirmou ser contrário à desestatização da Cemig. “Não tem privatização comigo”, declarou. Em relação à Copasa, disse ter sido “radicalmente contra” a venda da companhia, mas ponderou que uma eventual reversão, após a conclusão do processo, poderia gerar problemas de segurança jurídica. 

O candidato também defendeu maior fiscalização sobre os serviços prestados pelas empresas e afirmou que pretende cobrar o cumprimento das metas de saneamento. Azevedo criticou ainda a situação do tratamento de esgoto em Minas Gerais e afirmou que o Estado precisa ampliar a capacidade de acompanhamento e regulação dos serviços. 

Dívida de Minas

A situação fiscal do Estado também foi abordada durante a entrevista. Azevedo citou a dívida de Minas Gerais com a União e afirmou que o valor reconhecido em 2025 chegou a R$ 179,3 bilhões. Segundo ele, o atual acordo de pagamento impõe novas obrigações ao Estado e ocorre em um cenário de déficit orçamentário. 

O candidato também criticou a política de incentivos fiscais. Segundo Azevedo, cerca de R$ 26 bilhões deverão deixar de ser arrecadados em 2027 em razão de benefícios concedidos a aproximadamente 4 mil empresas. Ele defendeu a divulgação dos beneficiários e a revisão dos incentivos, além da criação de uma estrutura para acompanhar a execução do orçamento estadual. 

Segurança pública

Na área da segurança pública, Gabriel Azevedo propôs a criação de um centro integrado de inteligência criminal, com compartilhamento de informações entre as forças de segurança. A ideia, segundo ele, é cruzar dados para identificar padrões territoriais, rotas utilizadas por criminosos, conexões entre integrantes de organizações criminosas e movimentações financeiras.

Já sobre violência de gênero, o candidato defendeu que casos de agressão sejam avaliados já no primeiro atendimento, com monitoramento eletrônico de autores considerados de alto risco e criação de uma rede regional de acolhimento para mulheres. Azevedo também citou o programa “Feminicídio Zero”, defendido por sua vice, Maria Helena Lopes.