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Diferença de gastos chega a 5 vezes


Por Tribuna

31/03/2016 às 07h00- Atualizada 31/03/2016 às 08h37

A discrepância do uso da verba indenizatória pelos vereadores de Juiz de Fora foi novamente constatada pelo Comitê de Cidadania, responsável por acompanhar as ações do Legislativo. Nos dados referentes ao segundo semestre de 2015, apresentados na 32ª edição do informativo divulgado ontem, a diferença chega a ser de quase cinco vezes entre os parlamentares com maior e menor gasto. A análise não é qualitativa e considera, apenas, o valor da verba utilizada para despesas para o exercício do mandato.

No total, os 19 vereadores gastaram R$ 710.990,91 entre julho e dezembro. Apesar de ser 7% menor do que o dispensado no primeiro semestre, o valor é considerado alto pelo Comitê. “Há discrepância de gastos dentro do mesmo item e notas fiscais repetidas; persiste o uso sistemático do item ‘consultoria técnica’, embora já exista a contratação de vários assessores para cada gabinete; quase todos os vereadores gastam mensalmente o que lhes é permitido (R$ 8 mil)”, aponta o informativo.

Balanço

O parlamentar que registrou maior gasto foi José Emanuel (PSC), com um total de R$ 47.788,92, próximo ao limite de R$ 48 mil disponível para o período. José Fiorillo (PDT) foi o que apresentou o menor valor utilizado, R$ 8.531,44. Os vereadores Ana Rossignoli (PDT), Antônio Aguiar (PMDB), Aparecido Oliveira (PPS), Chico Evangelista (PP), Hitler Vagner (PR), José Márcio (PV), Julio Gasparette (PMDB), Leo Oliveira (PMN), Luiz Otávio Coelho (PTC), Nilton Militão (PTC), Rodrigo Mattos (PSDB) e Wanderson Castelar (PT) também utilizaram acima de R$ 40 mil da verba indenizatória. André Mariano (PMDB), Oliveira Tresse (PSC) e Roberto Cupolillo gastaram entre R$ 30 mil e R$ 40 mil. As despesas de José Laerte (PSDB) e Jucelio Maria (PSB) ficaram entre R$ 20 mil e R$ 30 mil.

O Comitê cobra formas mais econômicas para o exercício do mandato do Legislativo e o redirecionamento da verba para ações nas áreas de saúde e educação. “O uso tem sido abusivo. Nós temos nos empenhado para que não haja gastos excessivos, mas não percebemos mudanças no comportamento dos vereadores”, explicou a presidente Dea Emília. O comitê ressaltou, ainda, o exemplo de Belo Horizonte em que há licitação para compras de materiais em conjunto como forma de reduzir os custos dos parlamentares. Dea destacou que, ano passado, foi aberto inquérito civil no Ministério Público do Patrimônio para investigar o uso da verba indenizatória pelos vereadores. “A investigação está aberta, e nós iremos anexar esses novos dados aos documentos.”