Santana e Odebrecht são denunciados
São Paulo e Curitiba (AE) – A força-tarefa da “Lava jato” apresentou ontem duas denúncias contra os marqueteiros que atuaram nas campanhas da presidente Dilma Rousseff (2010 e 2014) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2006), João Santana e Mônica Moura. Uma das denúncias tem como alvo, além do casal, o empresário Marcelo Odebrecht e funcionários do “departamento da propina” da empreiteira, revelado pelas operações Acarajé e Xepa.
Nas duas denúncias oferecidas – ao todo, 17 pessoas são acusadas pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa – a força-tarefa aponta que o esquema de corrupção na Petrobras envolveu a Sete Brasil, empresa de capital misto criada em 2010 pela Petrobras para fornecimento de navios-sonda, e que Santana e Mônica – o casal está preso em Curitiba – receberam, “por fora”, ao menos US$ 10,9 milhões no exterior e R$ 23,5 milhões no Brasil da Odebrecht, a maior empreiteira do País.
Na primeira acusação, contra oito investigados, a força-tarefa cita propina nos contratos da Petrobras com a empresa de Cingapura Keppel Fels e nos contratos da Sete Brasil com o estaleiro da Keppel que teriam somado US$ 216 milhões. Para a Procuradoria, a Sete foi usada para se tornar uma extensão do esquema na estatal petrolífera. Na segunda denúncia, que envolve o casal de marqueteiros, Marcelo Odebrecht – esta é a terceira acusação contra o empresário – e mais nove acusados, a força-tarefa foca no “departamento de propina” da Odebrecht. O coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, afirmou que a Odebrecht implementou um sistema profissional de pagamento de propinas.
Em portaria publicada ontem, no “Diário Oficial”, a CGU declara a empresa Mendes Júnior Trading e Engenharia S/A inidônea para contratar com a administração pública. A decisão conclui o Processo Administrativo de Responsabilização (PAR) instaurado em virtude da “Lava jato”. Com a sanção, a construtora está proibida de celebrar novos contratos por, pelo menos, dois anos.









